Gran Torino – “Era uma vez na América”

30 03 2010

Gran Torino: Um EUA que não existe mais...

Curioso mas um filme cujo título é a marca de um carro não fala necessariamente sobre automóveis. Gran Torino na verdade é uma representação, quase uma fábula, de um país que ficou no passado. A América dos heróis 100% anglo-saxões, dos cowboys e veteranos de guerra, colidindo com uma nação economicamente decadente no século XXI, cujas industrias estão falidas, obsoletas ou foram exportadas. Ao mesmo tempo imigrantes e gangues de marginais povoam os bairros outrora de brancos suburbanos.

O personagem de Clint Eastwood, batizado curiosamente de Kowalski, perde a esposa e se vê sozinho em casa, cercado no entando por uma vizinhança de imigrantes vietnamitas da etnia Hmong. Kowalski tenta repelir seus vizinhos mas logo percebe que ambos tem o mesmo inimigo, uma gangue local.

Kowalski despreza tudo o que não é americano neste filme, as SUV’s japonesas de seus filhos ingratos e interesseiros, os imigrantes de olhos puxados do terceiro mundo, faz piadas racistas com minorias enquanto resmunga e lustra seu Ford Gran Torino 1972. Modelo que seu personagem, ex-operário da Ford, montou na linha de produção, e que foi um dos últimos representantes dos Muscle Cars, e de uma América próspera que em um passado recente ditava suas regras no mundo.

"Get off my lawn!"

Uma gangue tenta roubar o bólido de Clint: E quem não tentaria?

O espanhol "colonizador" e "genocida de índigenas" aqui deixa um Wallpaper 1024x768 pra vocês.

Se você ainda não viu, veja este filme, aos 78 anos (Filme de 2008)  Clint Eastwood está em sua melhor forma cinematográfica. Pessoalmente gostei também da atuação da jovem atriz Ahney Her (Sue Lor), e do seu irmão no filme (Thao) interpretado pelo também novato Bee Vang e que na história se torna o protegé de Clint.

Recomendo a quase todos, talvez não ao pessoal da ‘etiqueta‘ o filme é repleto de comentários preconceituosos e irônicos de Kowalski contra quase qualquer raça e nacionalidade. Mas faça uma concessão ao politicamente incorreto e veja essa trama que é o melhor filme de 2008 na minha opinião.

Um dado curioso: Clint Eastwood ficou com o Gran Torino 72 após as filmagens, o carro antes do filme era de um dono de loja de carros antigos. Após o filme o estúdio Warner Brothers queria se desfazer do carro, mas Clint tomou a iniciativa de comprá-lo…sortudo…

-Emerson Martinez

Torino na estréia do filme: Agora é do Clint, será que ele veio guiando até ai?

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Plymouth Road Runner Hemi 1969

25 02 2010

 

Road Runner Hemi 1969: A Chrysler entendeu que era tempo de economizar...

A Chrysler no final dos anos 1960, não queria ficar atrás da corrida dos cavalos, e não ficou, já bem servida com o imponente porém caro Dodge Charger R/T, resolveu lançar em 1968 seu Muscle Car econômico, o Plymouth Road Runner, mas a econômia naqueles tempos poderia ser em tudo menos em combustível.

Com todo esse tamanho era do segmento intermediário.

Muscle Car econômico, menos no consumo de gasolina claro...

O que a Chrysler poupou no Road Runner foi luxo e menos luxo significa menos peso, menos custo, e mais aceleração. Era o ‘Power to the People’ neste caso não para os grupos socialmente discriminados da época, mas sim para a classe média do subúrbio.

Basicamente o que fizeram foi pegar um Belvedere que era então um modelo intermediário e mais espartano e encaixar três motorizações mais potentes o 383 (6.2 litros, 340cv), 440 (7.2, 380cv), e o Hemi 426 (7.0, 431cv) deram-lhe o nome do personagem de desenhos Road Runner (Papa – Léguas) e para a licença do uso pagaram a Warner Brothers 50 mil doláres.

O Coyote da Warner comendo fumaça no filtro de ar, olhe para o resto do motor e saiba porque...

Bancos em vinil, volante de madeira com aros rebaixados, bons tempos aqueles.

Com os carros lentos de hoje você iria usar mais a buzina ou o acelerador?

Dá pra jogar uma partida de Badmington nesse capô.

Air Grabber: Soprava um pouco de ar para a usina.

O Hemi tinha menor cilindrada mas mais potência que o 440, porém tinha o mesmo torque, só que o 440 entregava sua força com menos rotação e o Road Runner 440 Six Pack que tinha três carburadores duplos, ao invés de um quadrúplo era mais rápido que o Hemi. Em provas atuais de quarto de milha (400m) documentadas pela revista Muscle Car Review , o Road Runner Six Pack conseguiu cumprir a distância em 12 segundos baixos, mas o Road Runner Hemi com seus 13 segundos não é por outro lado um carro lento.

Toyo Tires? Prefiro Red Line.

A divisão Plymouth produziu o Road Runner por 6 anos, em 1971 a carroceria foi totalmente reestilizada tornando-o maior e mais pesado. O modelo desapareceu junto com a grande maioria dos Muscles na crise do petróleo de 1974.

Veredicto: Incrível, nos 60 a classe média e quiçá até a operária nos EUA podiam adquirir um automóvel com mais de 400cv por valores corrigidos a preço de hoje entre 25 mil e 30 mil doláres. Na Europa na mesma época era preciso ser rico praticamente para pilotar um carro da mesma performance, o problema é que passados mais de 40 anos nem mesmo o Road Runner é mais um carro do povo. Hoje é uma relíquia bem valorizada por colecionadores e entusiastas.

Fabricante: Chrysler Group LLC, Auburns Hills, MI – Estados Unidos

Preço em 1969: US$ 3.000

Motor:

  • Cilindrada: 7.0 Litros
  • Torque: 66,3 kgfm a 4500 rpm
  • Potência: 431cv a 5000 rpm
  • Relação peso/potência: 4,0 kg/cv

Dimensões e Peso:

  • Comprimento: 5,15m
  • Largura: 1,94m
  • Peso: 1728kg

Desempenho:

  • 0 a 100km/h: 5,2s
  • 0 a 160km/h: 12,8s
  • 0 a 400m: 13.35s @ 172,7 km/h
  • Velocidade Máxima: 225,2 km/h (Diferencial 4.10:1)

Fonte: Road Test Magazine, March 1969.

Autor: Emerson Martinez