Esportivos Nacionais (Parte I)

8 09 2010
1964 Willys Interlagos

Retratos de um país que gostava de acelerar.

Postamos mais uma série de papéis de parede, agora de esportivos nacionais. Modelos que foram adaptações ou recriações de veículos estrangeiros, ou mesmo tentativas heróicas de desenvolver esportivos quase 100% brasileiros (caso de Puma, Miura, Bianco e etc). Retratos de um tempo que não volta mais, de um mercado que embora pequeno era pulsante em cores, modelos, motores e desempenho. 

Quando a fonte de alimentos destes dinossauros escasseou em 1973 (crise do petróleo) tornaram-se praticamente extintos, dando lugar a animais menores e menos famintos.  Hoje o Brasil é um mercado anual de 3,5 milhões de automóveis com apenas 2 esportivos e nenhum deles ultrapassa os 200cv. O que a antiga Chrysler nacional chamaria de “brincadeira”.

(Em breve a parte II)

Emerson Martinez

 





Fiat Tempra Turbo 1994

24 02 2010

 

Tempra Turbo 1994 - 0 a 100 km/h em apenas 8 segundos.

De origem italiana, o médio da Fiat recebeu uma roupagem bem esportiva, e com a adição de um turbo chegou a 165cv de potência , tornando-se o carro nacional mais veloz dos anos 90. Além do ineditismo do turbo neste segmento de médios, havia a versão duas portas cupê que não existia na Europa e que ganhou a nomenclatura ‘Turbo’, a versão sedan turbinada denominou-se Stile.

O turbo deste modelo tinha uma pressão de 0,75 bar, e seu motor curiosamente já era algo antigo. Era um motor Fiat dos anos 60 usado no modelo Regatta fabricado na Argentina. Mas a idade do motor não pesou em nada, inclusive estimava-se que se este motor fosse além de turbo, 16 vávulas, poderia chegar entre 180 a 200cv de potência.

O modelo de Tempra mais raro já fabricado.

Bombados: Tempra Stile (à esq) e Tempra Turbo (dir) ambos 1995, desempenho muito além dos irmãos italianos.

Seu principal rival no Brasil na época era o Chevrolet Vectra GSI, o qual ficou pra trás em performance. Mas justiça seja feita o esportivo da GM era aspirado e tinha 15cv a menos. A versão Stile sedã tinha como alvo o irmão maior e mais velho do Vectra, o Omega CD, já que o Stile tinha uma abordagem mais low profile, tentou-se inseri-lo no segmento de luxo. Neste caso, em desempenho pelo menos, foi mais um gol da Fiat.

Porém infelizmente na metade dos anos 90, quem mandava no mercado eram os carrinhos 1.0. Um carro médio com turbo compressor, estava na contra mão desta tendência e tinha poucas chances neste mercado, mesmo se considerarmos um segmento de nicho. Foi justamente nesta época que começou-se a verificar o definhamento em termos de vendas de todos os carros esportivos no Brasil.

Para piorar ainda mais a situação, o Tempra Turbo não era nada barato custava nada menos que US$ 35.000 de 1994, caro e arriscado para consumidores cada vez mais conservadores que temiam pela confiabilidade mecânica de um carro turbinado, bem como a sua depreciação na revenda. Os Tempras Turbo e Stile seguiram em produção até 1998 com volumes inexpressivos.

O painel do Tempra brasileiro diferenciava-se (para melhor) do modelo italiano.

Infelizmente seu preço e a desconfiança dos consumidores condenaram o Tempra Turbo a vendas escassas.

Veredicto: Temos que reconhecer a coragem da Fiat brasileira em equipar seu melhor carro com um Turbo compressor. Num mercado que já carecia de versões realmente esportivas, a montadora de Betim não ficou devendo nada em inovação, nem mesmo a matriz. Apesar da má fama de mecânica problemática hoje este Fiat é um exemplar raro, mítico, e não recomendável para “mecânicos”  curiosos e “pilotos” descuidados, em bom estado é exemplar colecionável.

Ficha Técnica:

Fabricante: Fiat Automóveis S.A, Betim, MG – Brasil

Preço em 1994: US$ 35.000

Motor:

  • Cilindrada: 2.0 litros
  • Torque: 26,5 kgfm a 3000 rpm
  • Potência: 165cv a 5250 rpm
  • Relação peso/potência: 7,7 kg/cv

Dimensões e Peso:

  • Comprimento:  4,35m
  • Largura: 1,70m
  • Peso: 1275kg

Desempenho:

  • 0 a 100km/h: 8,2s
  • 0 a 160km/h: 20.36s
  • 0 a 400m: 16.06s @ 143,3 km/h
  • 0 a 1000m: 29.08s
  • Velocidade Máxima: 212.8 km/h

Fontes: Revista Quatro Rodas, Maio de 1994

Autor: Emerson Martinez