Renault Clio Sport V6 2003

10 05 2010

Clio V6: "Allez le bleu!"

Alguns de vocês  que sempre observam Renaults Clio pelas ruas do Brasil, talvez imaginem se pode existir um hatch mais sem graça. Carro de patricinha que entrou para faculdade, carro de instalador de TV a cabo…enfim, nada de excitante pode vir de um Clio, o motor é fraco, dentro dele muito plástico, fora que custa muito pelo tédio que oferece.

Para sorte dos que têm sangue na veia, no ínicio da década passada, a Renault francesa teve uma ótima idéia. A de criar um carro com motor e tração traseiros, motor de 3.0 litros, 6 cilindros em V e apenas 2 lugares. Não, não era um novo carro, como um roadster por exemplo, mas sim aquele Clio chato do qual falávamos. Nem a idéia de transformar um hatch num Hulk era nova. A Renault já havia feito o mesmo no seu antigo Renault 5 nos anos 80.

De Hatch a Incrível Hulk em apenas 5.8 segundos...

Um Clio com motor V6 e 3.0 litros? "Só se for na França."

O motor em questão é de um Renault Laguna, só que este é algo maior (4,6 metros) no ‘petit’ Clio o motor foi para trás. Com isso perdeu-se o banco traseiro, e embaixo do capô na frente, herdou-se um “porta-luvas” um pouco maior. Praticidade, que é o trunfo desses pequenos e ignobéis carrinhos urbanos, torna-se um palavrão quando se fala no Clio V6. Além de espaço para somente duas pessoas e alguns pensamentos, ele tem um “metabolismo” muito acelerado, necessitando ser abastecido a cada 480km.

Tamanha sede vem dos seus 255cv,além disso o hatch ficou com nada menos que 1400kg, por volta de 300kg mais pesado que o Renault Clio Sport 172 (A versão esportiva, menos esportiva). A carroceria ficou mais alargada e era fabricada pela empresa Valmet da Finlândia. O anão com mania de grandeza era calçado com rodas aro 18, mas era dificil de esterçar, seu raio de curvatura é de 13 metros.

Ele continua sem muito conteúdo, mas pelo menos ganhou músculos...

Motor e tração traseiros como numa Brasília...

Como sabemos em matéria de “hatches-monstro” a Renault tem precedentes. Em 1980 criou o Renault 5 Turbo. Um carrinho menor que um Uno e que tinha 167 cavalos. Esse carrinho participou em 1985 na categoria de Ralí do Grupo B. No entanto, no caso do Clio V6, as ambições foram menores. Ele participou apenas de uma categoria monomarca, a Renault Clio V6 Cup, semelhante as copas Clio espalhadas pelo mundo das versões ditas “normais.”

Produzido de 2000 a 2005 o Clio V6 se restringiu a nichos do norte europeu que curtem essas saudáveis sandices. No incio de sua produção havia o V6 Mk I, um pouco menos potente (226cv) e depois este Mk II que era em 2003 o Hatch mais potente  e veloz do mundo, deixando para trás concorrentes como o Golf R32. Rei morto, Rei posto? Não, essa história de reinado não é muito a dos franceses (lembra do Robespierre?) O Clio V6 não teve sucessor a altura e ficou para a história como Hatch mais veloz da Renault.

Tal pai tal filho? Embora mais poderoso o Clio V6 não teve a mesma carreira nas pistas que o "seu velho" O Renault 5 Turbo.

Nada mais a dizer, bom talvez agora você olhe com outros olhos aquele Cliozinho da Telefônica na esquina da sua rua. Mas consciente que este V6 é outra coisa completamente diferente e emocionante.

Video: Uma irreverente avaliação do melhor programa de automóveis do mundo. O Top Gear da BBC, no volante Jeremy Clarkson. Confira que até um parrudo Land Rover é mais manobrável que o Clio V6, no circuito Top Gear, o misterioso piloto Stig com o Clio V6 iguala o tempo de um Aston Martin Vanquish.

Ficha Técnica

Fabricante: Renault S.A. – Estrasburgo, Alsácia – França

Motor

  • Cilindrada: 3.0 litros, 6 cilindros em V
  • Torque: 30,8mkgf @ 4650 rpm
  • Potência: 255cv @ 7150 rpm
  • Relação peso/potência: 5,49kg/cv

Dimensões e Peso

  • Comprimento: 3,83m
  • Entre-eixos:  2,53m
  • Peso: 1400kg

Desempenho

  • 0 a 100km/h: 5.8s
  • 0 a 160km/h: 14.2
  • 0 a 400m: 14.6s @ 157km/h
  • Velocidade Máxima: 246,1km/h

Fonte Dados Técnicos: www.torquestats.com

Autor: Emerson Martinez





Lancia Delta Integrale HF 1988

17 03 2010

Lancia HF Integrale: Bom desempenho que não custa milhões...

Quando nasceu no final dos anos setenta, a Lancia Delta parecia ser apenas mais um Hatch europeu, tração dianteira, potência de apenas dois dígitos, e nenhum apelo esportivo. Porém tudo mudaria no ínicio dos anos 80, com as escabrosas provas de Rali do Grupo B, minúsculos carrinhos com potências de 500, 550 até 600cv decolavam em declives, matavam espectadores, e que capotavam infinitas vezes no ar,  no solo,  e morro abaixo…

A Lancia que já possuia experiência em ralis de outros carnavales, não quis ficar de fora desta insanidade e lançou uma variante do Delta, o Delta S4 com um potente motor central e tração integral, homologando poucas unidades pra rua e correndo a Mach 1 por vielas estreitas. No entanto em 1986 a FIA decidiu por um fim a matança automobilistica do Grupo B e amansou via regulamento os carros que ali competiam. Estava aberto o caminho para uma Lancia um pouco mais racional, se é que racionalidade é atributo do temperamento italiano.

Jackill & Hyde: A partir do Integrale fizeram esse monstrinho de 580cv...

Quando surgiu em 1979 a Lancia Delta tinha cara de carro de firma...

Com provas as provas de rali mais civilizadas, a Lancia Delta não tomou conhecimento da concorrência, e faturou todos os campeonatos de Rali entre 1987 e 1992. A famosa pintura Martini e as rodas ‘ralo de banheiro’ eram o uniforme desta bela regazza. Já para a rua o modelo ganhou tração integral e um motor multiválvulas turbinado e pra lá de torcudo que com menos de 200 cv acelerava até os 100 km/h em meros 6 segundos.

Era um desempenho tão forte que muitos dos seus rivais nem eram da mesma gama, como os cupês Audi Quattro ou a BMW M3, (Na época o Golf GTI nem sonhava em se meter com a fera). A Delta era um dos poucos carros italianos de bom desempenho que não custava os milhões de Lamborghinis e Ferraris. Foi um italiano legítimo para ser guiado pelos seus partisans mediterrâneos e não por um Sheik trilhardário das Arábias.

Com tração integral e potência decente, a Lancia é rápida até parada.

185cv e 0 a 100 em 6 segundos. Nada mal pra quem tem praticamente o mesmo DNA do Fiat Tipo.

Posando de 'santa' no Vaticano...brincadeirinha...

O pessoal da Lancia não parou por ai, e acrescentou mais cavalos no pequeno Hatch, que subiu para 215 na versão Evoluzione I. Outra versão da Delta era branca e tinha pequenas faixas laterais do patrocínio Martini dos ralis, eu cheguei a ver este modelo disparando em uma avenida de Barcelona e posso dizer que a aceleração é simplesmente brutal, não houve tempo para fotos, mas por sorte avistei outra HF dias depois.

O pique da Delta é ajudado por um diferencial chamado Torsen que opera de modo inteligente, distribuindo gradualmente o torque oferecido para as rodas que forem mais necessitadas no momento. Hoje não parece grande coisa em termos tecnológicos, mas nos anos 80 foi uma das principais razões de tantas vitórias em competições. No final de sua produção foi lançada uma versão de 230cv, a Evoluzione II de despedida em 1994, foram construídas apenas 215 unidades e só para o mercado japonês.

A Delta alçando voo em algum campeonato de Rali que venceu...

De cara com um mito: Um dos dois modelos HF que eu vi e fotografei em Barcelona...

...e esta é a versão Martini, muito rápida para minha câmera.

Evoluzione I e II os últimos modelos.

Fogazza ou Temaki? Apenas 215 felizardos japoneses compraram a última edição...

 Veredicto: Não sou nem um pouco fã de esportivos mais caros que orçamentos de pequenas nações (inclui-se ai Ferraris) acredito em sonhos possiveis, ou pelo menos quase possiveis, e a Lancia Delta é exatamente isso. Esse pequeno carrinho não é veloz só pelos números ou por mera propaganda, provou seu valor em pista ganhando 6 campeonatos de rali consecutivos. Nos anos 80 enquanto pôsters de Testarossas empoeiravam em quartos de adolescentes mundo afora, a Delta se cobria de pó a mais de 200km/h colecionando troféus ao mesmo tempo que motorizava italianos e demais europeus sem grande ônus, é sem dúvida o maior carro de rali de todos os tempos.

Observação: O video da Lancia Delta é de um programa da Hungria, então se o seu hungaro está enferrujado como o meu curta só o belo ronco da bella, capisce?

O motor é de gladiador e o interior espartano.

Ficha Técnica:

Fabricante: Lancia S.p.A, Torino – Itália

Motor:

  • Cilindrada: 2.0 Litros
  • Torque: 31kgmf a 3500rpm
  • Potência: 185cv a 5300rpm
  • Relação peso/potência: 6,48 kg/cv

Dimensões:

  • Comprimento: 3,90m
  • Largura: 1,70m
  • Peso: 1200kg

Desempenho:

  • 0 a 100km/h: 6.4s
  • 0 a 160km/h: 19.5s
  • 0 a 400m: 14.80s @154km/h
  • 0 a 1000m: 27.90s @178km/h
  • Velocidade Máxima: 209km/h

Fonte: Revista AutoCar, Fevereiro de 1988

Autor: Emerson Martinez