Ford Maverick GT 1974

25 08 2012

Ford Maverick GT: de fracasso a mito.

Em menos de 6 anos o Maverick passou de grande lançamento da Ford para a história, fracasso em vendas, este belo Ford sofreu assim como muitos de seu segmento, a desvalorização e o sucateamento nos anos 80 e 90. Mas logo após elevado a condição de mito, afinal o  carro era bom, mas sofreu por ter sido equipado pelo arcaico motor Willys e também fora lançado aqui tardiamente, já a beira da crise energética de 1973.

Nada disso tira o mérito do Maverick nas pistas brasileiras, nem sua pegada “Muscle”, o Maverick foi o ‘Mustang’ possivel para aquele Brasil fechado, autoritário e de gasolina ruim e cara.  O Maverick GT é de longe o melhor Ford esportivo já lançado no Brasil, seus números de perfomance o colocava entre os melhores dos anos 70, e ainda hoje soam atuais, que o digam Civics LXL, e qualquer versão do Corolla nacional.

Motor:

  • 8 cilindros em V, 5.0 litros
  • Potência: 199 cv@ 4600rpm
  • Torque: 38,5kgf @ 2400rpm
  • Potência específica: 39,8 cv/litro

Dimensões e peso: 

  • Comprimento: 4,58m
  • Largura: 1,79m
  • Entre-eixos: 2,61m
  • Altura: 1,36m
  • Peso: 1390kg

Desempenho: 

  • 0 a 100km/h: 11.2s
  • 0 a 120km/h: 16.1s
  • 0 a 160km/h: 37s
  • 0 a 400m: 17.3s @ 125.9km/h
  • 0a 1000m: 33.9s @ 153.2km/h
  • Velocidade Máxima: 193.7 km/h

Fabricante: Ford do Brasil S/A, São Bernardo do Campo, SP -Brasil

Fonte dados: Revista Auto & Técnica, número 14 – Ano 1996

Fords e outros nacionais que fizeram história na nossa fanpage World Classic Cars!

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https://www.facebook.com/WorldClassicCars

Vejo vocês lá!

Por Emerson Martínez

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Esportivos Nacionais (Parte I)

8 09 2010
1964 Willys Interlagos

Retratos de um país que gostava de acelerar.

Postamos mais uma série de papéis de parede, agora de esportivos nacionais. Modelos que foram adaptações ou recriações de veículos estrangeiros, ou mesmo tentativas heróicas de desenvolver esportivos quase 100% brasileiros (caso de Puma, Miura, Bianco e etc). Retratos de um tempo que não volta mais, de um mercado que embora pequeno era pulsante em cores, modelos, motores e desempenho. 

Quando a fonte de alimentos destes dinossauros escasseou em 1973 (crise do petróleo) tornaram-se praticamente extintos, dando lugar a animais menores e menos famintos.  Hoje o Brasil é um mercado anual de 3,5 milhões de automóveis com apenas 2 esportivos e nenhum deles ultrapassa os 200cv. O que a antiga Chrysler nacional chamaria de “brincadeira”.

(Em breve a parte II)

Emerson Martinez

 





Renovação da Frota, Mais um Engodo…

14 08 2010
A linha VW de outros tempos e a chatice prateada de hoje em dia…

Como se não bastasse a obrigatoriedade da inspeção veicular, outro fantasma ronda os proprietários de carros antigos; a renovação da frota como medida “ambiental”  e de “segurança viária.” Como se o uso mais inteligente e racional do automóvel, a manutenção independente do tempo de uso, e a educação para o trânsito não fossem tópicos inerentes e até mais importantes para a compreensão destes problemas. A idéia é simplesmente transformar factóides em legislação com medidas superficiais e verticalizadas e ainda com o viés arrecadatório como pano de fundo.

Administratores, “especialistas” do sistema viário, urbanistas, ‘ecochatos’ e ‘burrocratas’ em geral que apoiam essa medida, não sabem (ou fingem não saber) sobre os inúmeros impactos ambientais que envolvem a fabricação de um único automóvel atualmente. Fomentar a compra de um automóvel zero Km, com o sucateamento de outro usado ou antigo, muitas vezes ainda em condições de reparo e uso, é uma medida tão estéril para desafogar o trânsito e melhorar a qualidade do ar, quanto a construção de pontes e viadutos ao invés de se investir no transporte de massa. Ou a adoção deste “meio-rodizio” cuja brecha dos horários de implantação, não remove os carros das ruas, pois os mesmos ficam guardados em estacionamentos, enquanto seus donos aguardam a expiração do horário fazendo um happy hour em bares pela cidade. (Lei Seca? Hã?)

Uma moto pode poluir até 7X mais que um automóvel moderno.

Carros antigos, bem ou mal conservados, são minoria na frota, além disso, rodam menos, e portanto ao longo de um mês podem contaminar menos o ar do que um carro moderno, catalisado e injetado que roda todo dia. Carros  de frota, táxis, de profissionais liberais, e do funcionalismo público que geralmente são mais novos e rodam muito, poluem mais que os Mavericks do Clube do Ford V8.  Será que além da injusta inspeção imposta para veículos antigos, haverá num futuro próximo alguma taxação ou imposição legal para que seus donos se desfaçam de seu patrimônio?

Sem falar no mal uso em geral que a população faz do automóvel. Pessoas que retiram o carro da garagem para rodar 500 metros. Que não oferecem carona a um parente próximo ou vizinho para colaborar com a fluidez do tráfego. Que burlam o rodízio saindo mais cedo e voltando mais tarde para casa, ou que simplesmente compra dois ou até mesmo três carros novos ou seminovos.

E as motos? Cada vez mais numerosas e muito poluentes, se multiplicaram devido a uma linha de crédito generosa, aliada a um baixo preço, consumo de combustível e manutenção idem. No entanto poluem tanto quanto um charmoso DKW “papa-óleo”, deixando muitas tosses e algum nivel de surdez por onde passam.

Cara, Cadê Meu Esportivo?

Desfeito o argumento “ambiental”, vamos ao mercadológico. A falta de opções e variedades do parque industrial brasileiro, está “maquiado” em parte, pelas importações sem taxas do México e dos produtos argentinos via Mercosul. Mas se observarmos apenas domesticamente, chegaremos a conclusão que o salto da industria automobilística nacional foi mais quantitativo que qualitativo.

Itens de série que são oferecidos como opcionais, pouca variedade de cores, e a morte de segmentos, como o de carros esportivos, podem animar um dono de antigo a trocar de carro? Carros atuais cada vez menos completos e caros, adquiridos pela fugaz sensação de possuir um zero? Em detrimento de um carro confortável, potente e completo cuja configuração e conceito sequer é mais oferecida por um equivalente atual? Acho que não cumpadi…

Ontem e Hoje: Cada vez menos opção e emoção na hora de comprar um carro...

Para os que não abrem mão do prazer de dirigir um automóvel possante e completo em acessórios. Que não ligam para consumo porque pode bancá-lo, ou simplesmente porque não usará o carro todos os dias, para todos os lugares como se fosse uma cadeira de rodas, fica dificil de entender o porque da necessidade desta “renovação”. Impostos embutidos no preço do carro, IPVA, impostos nos combustíveis, taxas para licenciamento veicular, e agora querem dizer quando nós devemos trocar nosso prezado veículo clássico que tinindo mal passa pela injuriosa inspeção por exemplo…

E para nos oferecer o quê? Quase não há mais Station Wagons nacionais, apenas uma picape de grande porte nacional, a Ford F250, e pra finalizar apenas dois esportivos, o Honda Civic Si e o Fiat Punto T-Jet, (contra meia-dúzia que tínhamos nos anos 70, somente ficando nos de grande porte). Se você é o feliz proprietário de  uma perua, picape grande ou um esportivo relativamente antigo, não encontrará quase nada novo na industria nacional para substituir seu carro, se é que quer ou deve fazê-lo…

-Fato, para adquirir um carro  zero km com alguma qualidade e com preço quase de nacional, você terá que recorrer aos importados isentos de taxa, mexicanos e argentinos. O que derruba outro argumento favorável à renovação da frota – A geração de empregos aqui.

Ficam as questões: a renovação da frota resolverá os problemas de poluição, trânsito, segurança viária e nos dará produtos melhores através da concorrência franca fomentada pelo consumo? NÃO.

A renovação da frota, por outro lado favorecerá apenas o Estado e seu insaciável apetite arrecadatório?  Uma industria automobilística cada vez mais acomodada, seria beneficiada por nos empurrar guela abaixo seus produtos defasados, via medida compulsória? Bom, você consumidor que dê sua resposta…

Emerson Martinez





Parada do Orgulho Clássico

8 06 2010

Inspeção veicular para antigos. Haverá luz no fim do túnel?

Mais um domingo da Estação da Luz, mais uma reunião mensal de clássicos. A temperatura baixa e o feriadão não diminuíram o público. Um sol tímido dava as caras, onde havia sombra, muito frio e escuridão, o que tornou um pouco díficil a tarefa de tirar fotos. O evento do dia  06/6 coincidiu com a Parada Gay, e não podemos dizer também que dono de carro clássico não pertença a um grupo ‘marginalizado’.

Os típicos bate-papos, sobre mecânica e procura de peças, neste domingo, cederam espaço para a injusta inspeção veicular, que também serão submetidos os automóveis antigos.  Injusta, porque se trata de automóveis que rodam pouco, uma vez por semana, alguns até uma vez por mês. Embora sejam sim mais poluentes na teoria, devido ao seu pouco uso, acabam jogando na atmosfera, menos monóxido de carbono que mordeníssimos carros injetados e catalisados que rodam diariamente, e muitas vezes desnecessariamente. Entupindo nossas vias  com congestionamentos monstro.

Que mané inspeção veicular o quê...Pedala Kassab!!!

Sem falar na proliferação de motos, uma moto pode chegar a poluir até 7X mais que um automóvel, e também rodando impunemente caminhões dentro da cidade, até no centro! A frota de ônibus coletivos é outra vilã, que pela cara tarifa cobrada pelas empresas do setor, poderiam já aportar investimentos em combustiveis alternativos menos poluidores.

Enfim, fica claro o caráter meramente arrecadatório da prefeitura, que reina sobre qualquer iniciativa sincera de melhorar o meio-ambiente e a qualidade de vida do cidadão. E se Gilberto Kassab pensa em se reeleger, pense de novo. No que depender pelo menos de donos de carros clássicos, e a maioria de membros de auto clubes, ele perdeu uma significativa e qualificada quantidade de votos.

Deixando a política de lado e falando de coisa que vale a pena. A Estação reuniu impecáveis classicos esportivos, e se eu tivesse que destacar uma marca, seria a Porsche. A começar por um rarissímo Spyder 718 RS60 1960, um outro modelo mais ‘domesticado’, um 356 1954 conversível e também o onipresente 911, preto ano 1978. Além dos alemães, 2 Minis clássicos, sendo um deles  o Morris GT1275, 1973 e sua frente “modernizada” reestilização que na época não agradou. Vale a curiosidade.

Olha que nesta inspeção, se bobear, vão querer ver até nossos dentes...

Um Corvette C2 1958 com rodas palito de maior diâmetro, outro Corvette já da crise energética de 1974 chamou a atenção do público e foi chamado de “Ferrari” algumas vezes. Um Caprice 1975 Lowrider no melhor estilo chicano me dificultou um pouco a vida para tirar fotos, tamanho era o assédio das pessoas. Além das fotos confira nosso video amador dessa bela barca.

Dos nacionais destaco o raro esportivo Puma GTB, 100% brasileiro em termos de projeto, esse também ganhou outras marcas e versões na boca dos leigos. Encontro de antigos é assim, um pouco de entreterimento e um pouco educativo. Se pode aprender muito sobre carros e até como a votar decentemente., mas não confiem só nas minhas palavras, apareçam lá no mês  que vem para prestigiar.

-Emerson Martinez

AS MÁQUINAS

Porsches Clássicos:

Porsche 718 RS60 Spyder, 1960

Porsche 356 Conversível, 1954

Porsche 911, 1978

 

Alfa Spyder, Bugatti Type 35A, Mini Coopers:

Alfa Romeo Spyder, 1968

Trivia: Este é o mesmo modelo que Dustin Hoffman dirigiu no filme, A Primeira Noite de um Homem.

Mini Morris 1275GT, 1973

O Mini Cooper por sua vez "atuou" no filme, Um Golpe à Italiana, com Michael Caine.

Mini Cooper S, 1968

Bugatti Type 35A, 1925 (Réplica)

 
Os Chevys:
 

Chevrolet Corvette C2, 1958

Polêmicos vincos no capô...

Corvette Stingray, 1974

Camaro Z/28, 198?

Chevrolet Caprice Lowrider, 1975

Belas rodas e pneus Toyo.

Será que tem direção hidraúlica?

Chevy Impala, 1961

Chevy Cup Hot Rod, 1933

Se liga nesses coletores Kassab.

 

Os Nacionais:

Puma GTB, 1978

São 171cv bem famintos...

É o meu modelo de Puma preferido.

Fastback nacional e com muito estilo.

Ford Maverick GT, 1974

E onde estão os Opalas SS?

Dodge Dart DeLuxo, 1973

Ao menos o dono deste Dart acredita no Dunga, haja fé...

Slides:

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Video Chevy Lowrider:





Domingo é dia de Clássico.

3 05 2010

Não se esqueçam, todo primeiro domingo do mês é dia de clássico.

Uma noite pesada de sono quase me tira de mais um encontro mensal na Estação da Luz em São Paulo, que começa logo pela manhã no primeiro domingo de cada mês.  Com pouco tempo fui direto ao ponto, registrando a presença de alguns modelos que poderiam ser relevantes para esse blog neste evento do mês de maio, dia 2.

Na praça ao lado da estação encontrei belos carros, sem falar que na praça as fotos ficam ótimas. Entre os destaques : um reluzente Camaro SS 350 de 1967 branco, um Maverick GT 1974 com vidros verdes, Mustang Coupé cor vinho 1966, e um raro Karmann Ghia alemão 1974, semelhante ao nacional, porém com parachoques maiores e em seu último ano de produção por lá. Em 74 já não se produzia esse modelo no Brasil, apenas a versão Karmann Ghia TC.

Na parte externa à praça, em frente a estação, encontramos um Corvette Stingray 1964, com escapes laterais e janela traseira unificada (lembrando que Corvette Split Window só em 63) um Mercury Cougar Eliminator 1970, Muscle Car raro até nos EUA, uma Alfa Romeo GTA 1970 (um dos meus modelos preferidos desta marca), e um foragido Bianco S, quem se lembra deste esportivo nacional que tinha mecânica VW?

Pois bem encontramos um vermelho 1978, e por fim um Fusca 1600S conhecido como “Bizorrão“. Conversei com o proprietário o atencioso senhor Paulo, dono de um modelo amarelo ano 1975. Ele possui 10 Fuscas sendo que 6 são “Bizzorões“, alguns destes em vias de restauração. Seu Paulo explicou em detalhes a história do carro, segundo ele foram produzidos apenas 5000 destes Fuscões entre os anos 1974/75 desta que foi a única versão esportiva do simpático Volks.

Eu havia inclusive filmado o Sr Paulo contando a história do carro, porém alguns motoristas de Mustangs e um imenso caminhão Kenworth, estragaram o áudio com o rugido de seus motores. Espero poder refilmar  ‘a aula’ sobre o Fuscão nos próximos encontros pois o Bizorrão está na nossa pauta aqui no Punta Taco.

Além dos esportivos, tomei a liberdade de registrar no blog alguns possantes Full-Sizes (barcas) que embora não sejam esportivos, são igualmente belos e clássicos. A lista de gigantes está composta por um Chevrolet Caprice LTZ, ano 1993, um Ford Galaxie 500 1968 nacional, e um assustador Buick Electra 225 1959.

Espero que aproveitem as fotos que são de resolução 1024, babem e até o próximo mês!

-Emerson Martinez.

OS ESPORTIVOS:

Camaro by Chevrolet...

Chevrolet Camaro SS, 1967

Ford Maverick GT, 1974

Ford Mustang Coupe, 1966

VW Karmann Ghia, 1974 (alemão)

Afinal, Stingray se escreve junto ou separado?

Chevrolet Corvette Sting Ray, 1964

Elimine a chatice automobilística com o Cougar!

Mercury Cougar Eliminator, 1970

Minha marca italiana preferida...

Alfa Romeo GTA, 1970

Alguém ainda se lembra da Bianco?

Bianco S, 1978

Fusca 1600S, 1975 (Bizorrão)

AS BARCAS (FULL-SIZES):

Chevrolet Caprice LTZ, 1993

Ford Galaxie 500, 1968 (brasileiro)

Buick Electra 225, 1959

SLIDES:

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Quem te viu, quem te vê…

1 05 2010

General Motors do Brasil, 1940: Construindo sonhos iguais aos dos americanos...

“Quantidade não é sinônimo de qualidade”. Já dizia o antigo ditado, podemos acrescentar também que nem tudo evolui com o tempo. Ambos raciocínios podem ser aplicados a indústria brasileira de automóveis, que no passado procurou na medida do possivel acompanhar o que estava sendo feito na Europa e Estados Unidos. Mas hoje, em que pese o crescimento de produção e vendas, em termos qualitativos houve na verdade um declínio e um nivelamento por baixo de seus produtos.

Ouso dizer que entre os 10 maiores produtores de automóveis, o Brasil tem o pior mercado. São carros caros, supertaxados, defasados, de baixa qualidade de acabamento e com um péssimo atendimento pós venda por parte das montadoras.

Na parte que cabe ao consumidor a coisa não melhora. O brasileiro está cheio de preconceitos, só gosta de carro quatro portas e com poucas variações de cor. Quando faz uma escolha por algo mais caro compra versões pouco praticas para o trânsito como SUV’s, rejeita versões esportivas, cupês, conversíveis e station wagons.

Paga caro por opcionais, muitos dos quais deveriam inclusive ser de série, tudo isso sem ao menos questionar, e utiliza seus automóveis excessiva e erroneamente.

Mas nem sempre foi assim, antes o Brasil não achava chique ser emergente (termo politicamente correto para pobre) queríamos comprar carros pomposos, iguais aos dos enlatados da TV, ou se a opção fosse pela economia e praticidade, até mesmo estes carros estavam em sintonia com o melhor do mundo rico. Duvida? No melhor exemplo do “Antes /Depois” veja o que éramos antes e o que somos agora.

 

ANTES:

Dart GTS americano e Dart DeLuxo brasileiro.

Linha Dodge Dart – “Critique o American Way dentro deste Carro.”

Lançado no Brasil em 1969, o Dodge Dart estava só 2 anos atrasado em relação ao debut da nova geração do  Dart americano, mas o modelo nacional era idêntico ao modelo gringo deste mesmo ano de 69.

O Dart tinha um posicionamento diferente no nosso mercado. Enquanto que o carro era “compacto” nos EUA, aqui era grande e de luxo. Até ai tudo bem, porque os americanos tinham um mercado infinitamente maior de 8 milhões de automóveis, e o Brasil de apenas uns 400 mil anuais. Depois o carro no Brasil foi se defasando com apenas pequenas reestilizações, enquanto que o americano evoluiu mais. Este fenônemo verificou-se depois em muitos outros automóveis nacionais.

Na América o Dart era muito popular em vendas, aqui ele foi mais popular na boca do povo, e mesmo se relativizarmos seu alto preço e a crise energética, não podemos dizer que o grandalhão foi um fracasso. Pelo contrário, apesar de terceiro-mundistas, podíamos construir um carro imponente como poucos no mundo desenvolvido.

Maverick Grabber americano e Maverick GT brasileiro.

Ford Maverick: “Bacon canadense Tupiniquin”

Chamado equivocadamente  (ou nem tanto) pelos brasileiros de “canadense”, o Maverick tardou preciosos 4 anos até passar a ser fabricado no Brasil. Chegou em 1973, no final da festa do petróleo. Por irônia os americanos contaram justamente com isso para transformar o Maverick em um sucesso de vendas.

Na terra de Tio Sam disputou vendas até com o Fusca. Mas aqui sendo mais caro e a nossa gasolina idem, foi um triste e rotundo fracasso comercial. A Ford tomou a decisão certa em lançá-lo, mas pecou no ‘timing‘ e em colocar na versão de entrada, um canhestro e problemático motor pós-guerra de 6 cilindros.

Mas o carro conceitualmente era muito bom, e a versão 302 V8 GT, nem se fala, tinha excelente desempenho e seu tamanho médio para grande, somado a força e o torque do V8, fazia dele um vencedor de corridas em linhas retas ou circuitos. Pena que sua performance não tenha empolgado o consumidor médioe mais conservador. De qualquer forma quando se despediu em 1979, o Maverick deixou o gostinho de “quero mais”. 

Passat alemão (1978) e Passat brasileiro (1978)

Volkswagen Passat: “O Curioso Caso do Passat Nacional”

Esse chegou apenas um ano depois que na Alemanha, seu país natal. O Passat foi um marco de qualidade e tecnologia, e aos poucos foi jogando pás de cal nos velhos modelos a ar. Em 1974 a Volks brasileira passava a ter o melhor carro deste segmento de médios.

Com o passar dos anos o modelo brasileiro foi se diferenciando do alemão. Nos anos 80 , curiosamente o modelo europeu foi ficando cada vez maior, mais moderno e  jovem, e no Brasil cada vez mais envelhecido. O Passat chegou ao absurdo de conviver com o que seria sua reestilização completa na Europa, o Santana. No velho continente no entanto chamava-se Passat.

Mas o raio do carrinho era tão bom, que nem já cheio de “botox” deixou de ter charme ou mesmo tecnologia. A Volkswagen lançou versões como a esportiva chamada GTS Pointer, o famoso “Passat Iraque” para exportação ao país árabe (quando o Saddam era amigo de todo mundo) e a luxuosa versão Village entre outras…

No entanto produtos mais modernos, como o Monza, e outros ainda por vir como o Kadett, forçaram a saída do Passat em 1988, tido por muitos (e eu incluso) como o melhor Volkswagen brasileiro da história, quem discordar que prove o contrário.

Opel Commodore SW alemã e Chevrolet Caravan brasileira.

Linha Chevrolet Opala: “Cara de alemão, sotaque americano e jeitinho brasileiro.”

Desde os anos 1920, a GM brasileira montou modelos americanos em regime de CKD, importou outros, e depois com suor próprio passou a fabricar utilitários e caminhões. Mas em 1968 tudo muda. É lançado o Opala. Mas o que é o Opala? Perguntaria um marciano recém chegado a Terra e sem Google…

O Opala foi apenas uma geração do Opel Rekord/Commodore alemão (1967-1971) com face-lift e mecânica americanizados, e que se tornou o maior sucesso de vendas no segmento de carros grandes no Brasil.

Com opções esportiva, luxuosas, simplificadas, perua, 4 e 6 cilindros e o “diabo aquático” o Chevrolet germânico-paulista vendeu 1 mihão de unidades em 24 anos de produção. Em 1992 sua despedida foi até noticia do Jornal Nacional, o Cid Moreira e milhões de brasileiros se despediram do Opala com olhos marejados. Depois dele veio o Omega, e depois do Omega nada mais…

 

AGORA:

Dacia Logan romeno e Renault Logan brasileiro.

Renault Logan: “Estão sugando nosso sangue…”

O Conde Drácula não foi a única contribuição horripilante da Romênia para o mundo. A Dacia, montadora que pertence a francesa Renault, está aí para assombrar nossas noites de sono com seus carrinhos feissímos. Por aqui esse sedãzinho tá sugando o suor e o sangue de muito brasileiro que trabalha, 40 ou 44 horas semanais, para pagar caro por mais esse demônio das trevas.

Na Europa Ocidental (leia-se rica), o consumidor tem seus “dentes de alho”, para afugentar essas pragas de sedãs pequenos. Como automóvel em país decente tem preço justo, não é necessário compensar sua familia com hatch acrescido de porta-malas. Lá uma BMW série 3 ou um Audi A4 é realidade e não um sonho, ao passo que aqui o Logan é o pesadelo de um país sombrio que desaprendeu a consumir/curtir carros.

Fiat Linea turco e Fiat Linea brasileiro.

Fiat Linea: “Paixão Turca?”

Houve um tempo no qual o Império Otomano dizia ao mundo o que vestir por exemplo, mas isso faz muito tempo. Hoje a Turquía ainda engatinha no mundo automobilístico, o que podemos dizer é que nossos colegas narigudos são chegados num Fiat. Lá como aqui eles tiveram o Tempra e o Marea, mas estes dois eram sedãs eram italianos da gema, últimos do segmento de médios fabricados na ‘bota’.

Já o projeto do Linea nasceu turco, e sua abrangência mercadológica compreende países do leste europeu e emergentes. Entendo que o Linea é o caso menos grave desta nova tendência brasileira de seguir projetos do mundo em desenvolvimento. Não é um carro ruim, nem feio, mas também no Brasil não desperta a conhecida ‘paixão turca’, muitos espertos donos de Civic podem confirmar isso.

Ford Figo (Fiesta) indiano e Ford Fiesta brasileiro

Ford Fiesta: “Quem Quer Ser Um Otário?”

Para vocês verem como são as coisas…a montadora que nos anos 70, no Brasil, foi a única a oferecer dois modelos diferentes como motores V8 (Galaxie e Maverick) hoje nos traz uma porca e jejuada versão do Fiesta indiano. Enquanto europeus dirigem um carro compacto moderno, bonito e acessível, que por um mero acaso, também se chama Ford Fiesta.

O Fiesta feito na Bahia, agora é “filho de Gandhi” mas o desaforo da Ford não para por ai. Ela também irá nos trazer via importação, o Fiesta mexicano que é moderno como o europeu. Mas então porque raios já não se produz o realmente novo Fiesta aqui??? Os mexicanos são mais bonitos? Cagam cheiroso? Ou o quê? Aliás verdade seja dita, o México é o único emergente que produz carros com alguma qualidade…

O Fiesta, Figo, Jabuticaba, Ameixa (ou seja lá o que for), tá perdoado, afinal na India é isso ou viajar em trens mais lotados que a rua 25 de Março. Mas aqui quem quer ser o otário que irá pagar 1 milhão de rúpias nessa joça? Você pode pedir ajuda ligando para um amigo.

Chevrolet Sail chinês e Chevrolet Classic brasileiro.

Chevrolet Corsa Classic: “Critique o regime chinês dentro deste carro.”

No passado, nós pessoas e a imprensa especializada criticavámos as montadoras por trazerem projetos obsoletos do primeiro mundo. Pois bem agora as montadoras trazem projetos  obsoletos do terceiro mundo. Particularmente de um país que há 20 anos atrás não havia nenhum carro particular e mihões de bicicletas.

O Chevrolet Classic é obsoleto em relação ao atual Chevrolet Sail chinês? Sim senhor! Lá já mudou e aqui a GM faz seu negócio da China, e nem queira saber a quantas anda o Corsa na Europa. Os europeus são inteligentes e só trouxeram coisa boa da China, como o macarrão. O contraponto é que nenhum carro chinês é vendido no continete europeu, falta qualidade, segurança e baixos índices de emissão de poluentes.

E ao “honolável” consumidor brasileiro falta apenas fechar mais a carteira e “ablir os olhos”.

-Emerson Martinez





Trio de Ferro

5 04 2010

As 3 grandes no Brasil: Na época da mordaça, muita ousadia.

Um tremendo paradoxo, na época da ditadura tínhamos carros esportivos, grandes, potentes e velozes. Foguetes nas mais diversas cores e tracionados pelo eixo traseiro como deveria ser todo carro. Porém passados mais de 30 anos, democracia restaurada há 25, e o Brasil com um dos maiores mercados do mundo, o que temos?

Carrinhos de plástico, de motores asmáticos, com apenas três cores mortas dispóníves (Prata, Preto, ou Branco). E nada do melhor que foi lançado na Europa, Japão ou nos EUA, mas projetos Frankstein de outros países emergentes, inclusive com menos tradição automobilística que o Brasil. Tratam-se de empresas que em nome da economia e de uma suposta “funcionalidade” e se esqueceram de um item essencial: Paixão por automóvel.

Belo Opala colocando um pouco de cor e vida a um modorrento estacionamento.

Pela pesada quantia de impostos cobrados, e pela gorda margem de lucro das montadoras, podia-se lançar pelo menos 3 modelos de se torcer o pescoço. E por falar em torcer o pescoço, decreto o terceiro culpado: O consumidor, que cede as vontades das montadoras e do ‘mercado’. Desculpem mas brasileiro não é nada apaixonado por automóvel.

Estou pouco me  fu****o para as leis de mercado, meus atuais sonhos de consumo, já nem são mais produzidos; Opala SS, Charger R/T, e Maverick GT são carros de verdade para motoristas idem e bom passeio ao resto (como diria o jornalista Flávio Gomes) “nos seus esquifes prateados”.

-Emerson Martinez