Esportivos Nacionais (Parte I)

8 09 2010
1964 Willys Interlagos

Retratos de um país que gostava de acelerar.

Postamos mais uma série de papéis de parede, agora de esportivos nacionais. Modelos que foram adaptações ou recriações de veículos estrangeiros, ou mesmo tentativas heróicas de desenvolver esportivos quase 100% brasileiros (caso de Puma, Miura, Bianco e etc). Retratos de um tempo que não volta mais, de um mercado que embora pequeno era pulsante em cores, modelos, motores e desempenho. 

Quando a fonte de alimentos destes dinossauros escasseou em 1973 (crise do petróleo) tornaram-se praticamente extintos, dando lugar a animais menores e menos famintos.  Hoje o Brasil é um mercado anual de 3,5 milhões de automóveis com apenas 2 esportivos e nenhum deles ultrapassa os 200cv. O que a antiga Chrysler nacional chamaria de “brincadeira”.

(Em breve a parte II)

Emerson Martinez

 

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Renovação da Frota, Mais um Engodo…

14 08 2010
A linha VW de outros tempos e a chatice prateada de hoje em dia…

Como se não bastasse a obrigatoriedade da inspeção veicular, outro fantasma ronda os proprietários de carros antigos; a renovação da frota como medida “ambiental”  e de “segurança viária.” Como se o uso mais inteligente e racional do automóvel, a manutenção independente do tempo de uso, e a educação para o trânsito não fossem tópicos inerentes e até mais importantes para a compreensão destes problemas. A idéia é simplesmente transformar factóides em legislação com medidas superficiais e verticalizadas e ainda com o viés arrecadatório como pano de fundo.

Administratores, “especialistas” do sistema viário, urbanistas, ‘ecochatos’ e ‘burrocratas’ em geral que apoiam essa medida, não sabem (ou fingem não saber) sobre os inúmeros impactos ambientais que envolvem a fabricação de um único automóvel atualmente. Fomentar a compra de um automóvel zero Km, com o sucateamento de outro usado ou antigo, muitas vezes ainda em condições de reparo e uso, é uma medida tão estéril para desafogar o trânsito e melhorar a qualidade do ar, quanto a construção de pontes e viadutos ao invés de se investir no transporte de massa. Ou a adoção deste “meio-rodizio” cuja brecha dos horários de implantação, não remove os carros das ruas, pois os mesmos ficam guardados em estacionamentos, enquanto seus donos aguardam a expiração do horário fazendo um happy hour em bares pela cidade. (Lei Seca? Hã?)

Uma moto pode poluir até 7X mais que um automóvel moderno.

Carros antigos, bem ou mal conservados, são minoria na frota, além disso, rodam menos, e portanto ao longo de um mês podem contaminar menos o ar do que um carro moderno, catalisado e injetado que roda todo dia. Carros  de frota, táxis, de profissionais liberais, e do funcionalismo público que geralmente são mais novos e rodam muito, poluem mais que os Mavericks do Clube do Ford V8.  Será que além da injusta inspeção imposta para veículos antigos, haverá num futuro próximo alguma taxação ou imposição legal para que seus donos se desfaçam de seu patrimônio?

Sem falar no mal uso em geral que a população faz do automóvel. Pessoas que retiram o carro da garagem para rodar 500 metros. Que não oferecem carona a um parente próximo ou vizinho para colaborar com a fluidez do tráfego. Que burlam o rodízio saindo mais cedo e voltando mais tarde para casa, ou que simplesmente compra dois ou até mesmo três carros novos ou seminovos.

E as motos? Cada vez mais numerosas e muito poluentes, se multiplicaram devido a uma linha de crédito generosa, aliada a um baixo preço, consumo de combustível e manutenção idem. No entanto poluem tanto quanto um charmoso DKW “papa-óleo”, deixando muitas tosses e algum nivel de surdez por onde passam.

Cara, Cadê Meu Esportivo?

Desfeito o argumento “ambiental”, vamos ao mercadológico. A falta de opções e variedades do parque industrial brasileiro, está “maquiado” em parte, pelas importações sem taxas do México e dos produtos argentinos via Mercosul. Mas se observarmos apenas domesticamente, chegaremos a conclusão que o salto da industria automobilística nacional foi mais quantitativo que qualitativo.

Itens de série que são oferecidos como opcionais, pouca variedade de cores, e a morte de segmentos, como o de carros esportivos, podem animar um dono de antigo a trocar de carro? Carros atuais cada vez menos completos e caros, adquiridos pela fugaz sensação de possuir um zero? Em detrimento de um carro confortável, potente e completo cuja configuração e conceito sequer é mais oferecida por um equivalente atual? Acho que não cumpadi…

Ontem e Hoje: Cada vez menos opção e emoção na hora de comprar um carro...

Para os que não abrem mão do prazer de dirigir um automóvel possante e completo em acessórios. Que não ligam para consumo porque pode bancá-lo, ou simplesmente porque não usará o carro todos os dias, para todos os lugares como se fosse uma cadeira de rodas, fica dificil de entender o porque da necessidade desta “renovação”. Impostos embutidos no preço do carro, IPVA, impostos nos combustíveis, taxas para licenciamento veicular, e agora querem dizer quando nós devemos trocar nosso prezado veículo clássico que tinindo mal passa pela injuriosa inspeção por exemplo…

E para nos oferecer o quê? Quase não há mais Station Wagons nacionais, apenas uma picape de grande porte nacional, a Ford F250, e pra finalizar apenas dois esportivos, o Honda Civic Si e o Fiat Punto T-Jet, (contra meia-dúzia que tínhamos nos anos 70, somente ficando nos de grande porte). Se você é o feliz proprietário de  uma perua, picape grande ou um esportivo relativamente antigo, não encontrará quase nada novo na industria nacional para substituir seu carro, se é que quer ou deve fazê-lo…

-Fato, para adquirir um carro  zero km com alguma qualidade e com preço quase de nacional, você terá que recorrer aos importados isentos de taxa, mexicanos e argentinos. O que derruba outro argumento favorável à renovação da frota – A geração de empregos aqui.

Ficam as questões: a renovação da frota resolverá os problemas de poluição, trânsito, segurança viária e nos dará produtos melhores através da concorrência franca fomentada pelo consumo? NÃO.

A renovação da frota, por outro lado favorecerá apenas o Estado e seu insaciável apetite arrecadatório?  Uma industria automobilística cada vez mais acomodada, seria beneficiada por nos empurrar guela abaixo seus produtos defasados, via medida compulsória? Bom, você consumidor que dê sua resposta…

Emerson Martinez





O Esquadrão Implacável/The Seven Ups

16 07 2010

The Seven Ups: Perseguição com grife Bullit...

Antes de Tubarão, Roy Scheider (1932-2008) estrelou o filme policial Seven Ups (O Esquadrão Implacável) de 1973, que é um grupo de elite policial à paisana que se utiliza de táticas não convencionais na luta contra o crime. O caldo engrossa quando um dos policiais deste esquadrão é assassinado, e o grupo colocado à prova.

Colocados à prova também foram os Pontiacs Ventura e Grand Ville que literalmente decolam nas ruas do Bronx a 180km/h reais. Se você só viu carro correndo no cinema assistindo Velozes e Furiosos, se prepare, porque nesta perseguição não há efeitos especiais, apenas câmeras instaladas nos carros capturando toda a ação.

O saudoso Roy Scheider checa os últimos detalhes do seu Pontiac Ventura.

Sem efeitos especiais: Os carros vão a toda velocidade apenas com as câmeras fixadas.

Pontiac Ventura Sprint 1973: 200cv liquidos e 0-100km/h em 7.7s

O filme da 20th Century Fox, foi dirigido por Philip D’Antoni, produtor do policial Bullit (1968) estrelado por Steve McQueen. Também de Bullit e Operação França, Bill Hickman (1921-1986) piloto-dublê que é o sinistro ‘tiozinho’ de óculos que pilotava o Charger R/T preto perseguido por McQueen.

As cenas de perseguição se deram nas ruas do Bronx e Manhattan, o carro dos bandidos é um Pontiac Grand Ville 1973 , um Full-Size que teve baixa produção entre os anos 1971/1975. O enorme sedã tinha um motor de 6.6 litros e 360cv brutos e impressiona pela velocidade alcançada nas cenas.

O “compacto” Pontiac Ventura 1973 por sua vez, possui o famoso 350 (5.7 litros) e 200cv liquidos, este modelo é baseado no Chevrolet Nova do mesmo ano e é basicamente o último Pontiac GTO fabricado em 1974. Este modelo acelerava de 0 a 100km/h em 7.7s e cumpria o quarto de milha (400m) em 15.7s, números semelhantes aos de um Honda Civic SI atual.

Mais uma vez Bill Hickman não dá mole pro "mocinho"

Pontiac Grand Ville, a 'barca' voadora de Seven Ups...

Ventura Sprint exatamente igual ao do filme em foto atual...

Os anti-saudosistas que me perdoem, mas em se tratando de perseguição cinematrográfica de automóveis os anos 70 foram a Era de Ouro, distantes de normas mais rigidas de segurança, altos valores de seguro e principalmente de efeitos especiais à la PlayStation, esses dublês profissionais premiaram o público de cinema da época com cenas antológicas e com muita, muita velocidade. Vou mais longe: Bullit, Operação França e O Esquadrão Implacável deveriam ser vendidos em pacote único de DVD.

(Nota: o Grand Ville branco da foto é versão cupê e de ano diferente do modelo do filme)

Aperta o cinto abdominal ai!

Trailer:

Perseguição:

Fonte: Revista Car Magazine  e sites: www.imdb.com e www.imcdb.org

Autor: Emerson Martinez

 





Portugal vs. Brasil

25 06 2010

Portugal x Brasil: Mesma matriz, desenvolvimentos diferentes...

Na Copa de 1966, na Inglaterra, o Brasil de Pelé era atropelado por Portugal com seu fantástico “Pantera Negra” Eusébio. Os portugueses tiveram sua melhor campanha naquele mundial, mas não levaram a taça. Quatro anos depois, o Brasil tornou-se tri-campeão com a melhor seleção de futebol da história. Convenhamos, ao fim o Brasil triunfou sobre os patrícios lusos.

Mas no que tange aos automóveis, o Brasil não pratica um esporte campeão. Somos ainda um time de série B que se limita a satisfazer a demanda da torcida, mas sem dar show de bola, e que perde de goleada para o que se produz na Europa. Como constataremos neste comparativo entre dois Volkswagens, o ressuscitado hatch Scirocco da Volks europeia enfrenta  o último esportivo da Volkswagen brasileira o Golf GTI (descontinuado este ano), acho que de  novo os portugueses vencerão.

VW Scirocco TSI um "alemão" Made in Portugal.

Volkswagen Scirocco TSI, 2009:  Renascido e repaginado, o hatch compacto da Volkswagen europeia agora sai das terras lusitanas, mais precisamente da VW AutoEuropa, uma das mais modernas linhas de montagem do velho continente. O velho Scirocco foi produzido entre 1974 e 1992 e deixou vago o nicho de pequenos hatch ou mini cupê se preferir, como também havia sido outro VW do gênero o Corrado.

O Scirocco TSI foi lançado em 2008 tendo como base o conceito Iroq, desenhado por Giugiaro, o modelo TSI se utiliza de turbocompressor e rende 200cv. O pequeno esportivo luso-alemão tem muitas amenidades tecnológicas, como por exemplo, um sistema de direção eletro-mecânico que pode ser ajustado em 3 programas: Normal, Sport e Comfort. Tudo isso por módicos 23 mil euros, mas quanto custaria em Escudos? Ou melhor ainda em Reais?

Ao invés de muitos impostos, muita tecnologia...

Pise muito nos 'travões' para segurar os 200cv deste gajo o pá

Fabricante: Volkswagen AutoEuropa – Palmela, Portugal – União Europeia

  • Motor: 2.0 litros, 4 cilindros em linha, turbo
  • Potência:  200cv @ 6000rpm
  • Torque: 206lbs/ft @ 1700rpm
  • 0-100km/h: 7.2s
  • 0-400m: 15.3s
  • Velocidade Máxima: 234,9km/h

Você gostou dessa "nova" frente do Golf? Nem eu...

Volkswagen Golf GTI 2008: O Golf GTI foi certamente o VW mais veloz já produzido no Brasil, lançado primeiramente com 150cv, sua potência subiu para 180 e depois no final de sua carreira 193cv. Se a potência e o desempenho evoluíram, o mesmo não se pode dizer em inovação e design.

Enfrentando muitos concorrentes tais como: Fiat Marea Turbo, Audi A3 Turbo e por fim o moderníssimo Honda Civic SI. O Golf GTI não fez um bom papel dentro de campo, que depois da baixa receptividade da torcida,(consumidor) nas últimas temporadas, e um super inflacionado passe de 44 mil euros, acabou finalmente pendurando as chuteiras. Imagine então quantos “chuveirinhos” levaria este defasado atleta do craque Scirocco?

Um belo acabamento franciscano na cor "cinza-ratinho"

Motor de 193cv turbinado, pena que o Golf envelhecido estava incluído no pacote...

Fabricante: Volkswagen do Brasil S.A – São José dos Pinhais, PR – Brasil

  • Motor:  2.0 litros, 4 cilindros em linha, 20 válvulas
  • Potência: 193cv @ 5500rpm
  • Torque:  25,5 mkgf @ 1950rpm
  • 0-100km/h:  7.8s
  • 0-400m: 15.8s
  • Velocidade Máxima: 228, 8km/h

Fonte: Dados e imagens Golf: www.bestcars.com.br , Dados Scirocco: www.torquestats.com

Autor: Emerson Martinez