Volkswagen Fusca 1600S “Bizorrão” 1975

18 06 2010

Bizorrão 1975: Tempos em que existia até Fusca esportivo.

Nem mesmo se o tema for ‘esportividade’ o carro mais popular do mundo fica de fora. Isto graças a iniciativa da Volks brasileira em lançar no ano de 1974, o Fusca 1600S, conhecido também como Bizorrão. O Fusca era barato para qualquer público, mas a VW queria também lançar uma versão que tivesse apelo junto a juventude da época e fabricou durante apenas 2 anos a única versão esportiva do Fusca.

Diferente do modelo comum o Bizorrão tinha, a começar pelo motor, dupla carburação Solex 32, com coletores casados com cabeçotes duplos. A tampa do motor possuía uma espécie de ‘scoop‘ preto com a inscrição “1600S” que era junto com as rodas de Brasilia de 6 furos, os únicos alertas que que se trava de um Fusca diferente. Outro detalhe a se obervar é que ele tinha apenas uma saída de escape, mas ainda perservando as reentrâncias do escape duplo das versões ‘normais.’

O volante é o famoso Walrod!

Por dentro, muito mais esportividade, com mostradores pra todo lado; temperatura de óleo, amperímetro, relógio analógico, etc. A alavanca de câmbio era mais curta e o volante era da marca Walrod de menor diâmetro e de aros rebaixados. Os bancos eram mais anatômicos e podiam ser reclinados até o banco de trás.

A suspensão era rebaixada melhorando sua estabilidade, lamenta-se somente a ausência de pneus radiais, algo raro naquela época. Os pneus do Bizorrão eram diagonais de medida 175 S14.

O herdeiro Gol 1.0 leva fumo do Vovô Bizorrão

O desempenho era bom para a média dos Fuscas e até para os esportivos pequenos dos anos 70.  Seus 65cv empurram apenas 805 kg, e aceleravam o brabo Fuscão de 0 a 100km/h em 16 segundos, achou pouco? Pois o Bizorrão venceria o novo Gol 1.0 2010 em um racha, já que o moderno VW acelera até os 100km/h em 17,4 segundos. Na prova dos 1000 metros outra surra do Fuscão: 37,8 segundos contra 38,2 segundos do Gol.

Os que reclamarem uma vantagem do Fusca pelo seu motor 1.6, alerto que a potência é a mesma, 54cv. Sendo que no Fusca Bizorrão, esta potência é a líquida transmitida nas rodas. E o Gol pode ser mais pesado, mas em compensação a aerodinâmica do Fusca é muito pior (Cx – 0,48). Então o mérito é todo da esportividade do Bizorrão.

Muitos mostradores, demorou até a VW lançar um painel tão completo.

Tempos de carros coloridos, amarelo hoje só gema de ovo.

O scoop preto que diferencia o Bizorrão (Item que vale um rim no mercado de autopeças)

Propaganda que focava os jovens da época, com gírias que hoje soam um tanto geriátricas

Bizorrão e os outros modelos da linha Fusca de 1974.

O Bizorrão e os Bizorrinhos do México (Rodas modernas de Porsche reprovadas)

Em miniatura: Antes que me pergutem, não sei onde vendem...

Mesmo discreto externamente, o Bizorrão chamava a atenção na época da ditadura e de uma polícia bem repressora. De uma mera versão de fábrica o Fuscão era confundido pelos policiais com carro “envenenado”. Tal como aconteceu com o piloto Bob Sharp, que dirigindo um, tomou uma blitz e lhe custou uns bons minutos até explicar a verdadeira origem do Volks.

O Bizorrão era disponibilizado nas cores: Amarelos caiçara e imperial, branco lótus, e vermelho rubi. Prata só os parachoques e preto só o painel e os pneus, entendeu?

Embora o Fusca em seus mais de 30 anos de produção no Brasil, e mais de 3 milhões de unidades vendidas. Algumas versões são muito raras como o Fusca Pé de Boi, ou o Bizorrão, falta a VW um pouco de memória história (Cadê o Museu?) o Bizorrão foi um leve sopro de esportividade de um simpático carrinho que ensinou o Brasil a dirigir.

Agradecimentos: O blog Punta Taco agradece o Sr. Paulo, proprietário do Bizorrão amarelo 1975 das fotos, graças a simpatia e gentileza do ‘seu’ Paulo, presente em quase todos os encontros de antigos na Estação da Luz,  gravamos um vídeo onde ele explica os detalhes do seu carro. Segundo dados oficiais da VW foram fabricados 19 mil Bizorrões, mas ele afirma que foram só 4 mil. Independente dos números trata-se de um modelo hoje muito raro, e é respeitável o trabalho que o Senhor Paulo faz para perservar estes Fuscas, como ele  mesmo revelará no vídeo. Confira.

Teste na Quatro Rodas em 74

Fabricante: Volkswagen do Brasil S.A – São Bernardo do Campo, SP – Brasil

  • Motor: 1.6 litros, 4 cilindros contrapostos
  • Potência: 65cv @ 4600rpm
  • Torque:  11,7 mkgf @ 3200rpm
  • 0-100km/h: 16,5s
  • 0-120km/h: 30s
  • 0-1000m:  37,8s
  • Velocidade Máxima: 140km/h* (Dados da fábrica)

Fonte: Revista Quatro Rodas, número 171 e Revista Fusca & Cia Ano 1, número 1

Para mais Bizorrões como o Fuscão calçado com rodas Porsche e muitos outros VW’s clássicos nacionais e importados acesse: http://www.floripaboxer.com.br

Autor: Emerson Martinez

 

 

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Domingo é dia de Clássico.

3 05 2010

Não se esqueçam, todo primeiro domingo do mês é dia de clássico.

Uma noite pesada de sono quase me tira de mais um encontro mensal na Estação da Luz em São Paulo, que começa logo pela manhã no primeiro domingo de cada mês.  Com pouco tempo fui direto ao ponto, registrando a presença de alguns modelos que poderiam ser relevantes para esse blog neste evento do mês de maio, dia 2.

Na praça ao lado da estação encontrei belos carros, sem falar que na praça as fotos ficam ótimas. Entre os destaques : um reluzente Camaro SS 350 de 1967 branco, um Maverick GT 1974 com vidros verdes, Mustang Coupé cor vinho 1966, e um raro Karmann Ghia alemão 1974, semelhante ao nacional, porém com parachoques maiores e em seu último ano de produção por lá. Em 74 já não se produzia esse modelo no Brasil, apenas a versão Karmann Ghia TC.

Na parte externa à praça, em frente a estação, encontramos um Corvette Stingray 1964, com escapes laterais e janela traseira unificada (lembrando que Corvette Split Window só em 63) um Mercury Cougar Eliminator 1970, Muscle Car raro até nos EUA, uma Alfa Romeo GTA 1970 (um dos meus modelos preferidos desta marca), e um foragido Bianco S, quem se lembra deste esportivo nacional que tinha mecânica VW?

Pois bem encontramos um vermelho 1978, e por fim um Fusca 1600S conhecido como “Bizorrão“. Conversei com o proprietário o atencioso senhor Paulo, dono de um modelo amarelo ano 1975. Ele possui 10 Fuscas sendo que 6 são “Bizzorões“, alguns destes em vias de restauração. Seu Paulo explicou em detalhes a história do carro, segundo ele foram produzidos apenas 5000 destes Fuscões entre os anos 1974/75 desta que foi a única versão esportiva do simpático Volks.

Eu havia inclusive filmado o Sr Paulo contando a história do carro, porém alguns motoristas de Mustangs e um imenso caminhão Kenworth, estragaram o áudio com o rugido de seus motores. Espero poder refilmar  ‘a aula’ sobre o Fuscão nos próximos encontros pois o Bizorrão está na nossa pauta aqui no Punta Taco.

Além dos esportivos, tomei a liberdade de registrar no blog alguns possantes Full-Sizes (barcas) que embora não sejam esportivos, são igualmente belos e clássicos. A lista de gigantes está composta por um Chevrolet Caprice LTZ, ano 1993, um Ford Galaxie 500 1968 nacional, e um assustador Buick Electra 225 1959.

Espero que aproveitem as fotos que são de resolução 1024, babem e até o próximo mês!

-Emerson Martinez.

OS ESPORTIVOS:

Camaro by Chevrolet...

Chevrolet Camaro SS, 1967

Ford Maverick GT, 1974

Ford Mustang Coupe, 1966

VW Karmann Ghia, 1974 (alemão)

Afinal, Stingray se escreve junto ou separado?

Chevrolet Corvette Sting Ray, 1964

Elimine a chatice automobilística com o Cougar!

Mercury Cougar Eliminator, 1970

Minha marca italiana preferida...

Alfa Romeo GTA, 1970

Alguém ainda se lembra da Bianco?

Bianco S, 1978

Fusca 1600S, 1975 (Bizorrão)

AS BARCAS (FULL-SIZES):

Chevrolet Caprice LTZ, 1993

Ford Galaxie 500, 1968 (brasileiro)

Buick Electra 225, 1959

SLIDES:

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Dodge 1800 SE 1975

26 04 2010

Dodginho SE 1800: Receita de esportivo barato.

No Brasil dos anos 70, além de esportivos médio-grandes de grande potência tínhamos também um segmento mais ‘light‘ digamos assim. Os esportivos médio-pequenos representavam um importante nicho de carros com um acabamento e aparência mais agressivos, para atrair o público mais jovem. Porém essa esportividade não foi muito representada em termos de performance.

A Chrysler brasileira que já tinha seu esportivo de grande desempenho, resolveu entrar nesse mercado, que em 1975 já contava com o Corcel GT da Ford e a Volkswagen que já havia lançado o Fusca 1600S (o Bizorrão), preparava o lançamento do Passat TS. O Dodge 1800 que era muito semelhante ao pequeno Hilmann Avenger inglês, fôra lançado dois anos antes, em 73, em uma tentativa da Chrysler de lançar um produto mais econômico em plena crise do petróleo.

O Dodge 1800 era o mais veloz de sua categoria.

A Chrysler resolveu seguir a velha receita de esportivo simplificado, o acabamento do Dodginho era bem simples, parachoques na cor preta ao invés de cromados, rodas pintadas na cor do carro, e bancos e demais itens revestidos em vinil.

O que chama a atenção era a diferença de desempenho entre o pequeno Chrysler e seus concorrentes. Ele tinha mais potência e cilindrada, enquanto que a maioria dos rivais utilizavam motores de 1.3 a 1.5 litros e tração dianteira, o “Moparzinho” tinha motor 1.8 e tração traseira. Não por acaso o Dodge 1800 ganhava muitas corridas em competições pelo Brasil, seguido de perto pelo então moderno Passat.

A proposta do Dodginho SE era a mesma que a montadora tinha para o Dart SE, porém todos os modelos lançados no Brasil, de carros com acabamento simplificado no intuíto de reduzir custos, não obtiveram sucesso comercial. No caso do Dodginho fracasso ainda mais acentuado por inúmeros problemas de projeto que o modelo apresentava, e que só foram corrigidos nos Dodginhos de segunda geração em 1978, quando o modelo passou a se chamar Polara.

Um raro modelo sobrevivente no encontro de Águas de Lindóia.

O mercado brasileiro da época rejeitava versões muito simplificadas.

Ruim de vendas ele se vingava nas pistas...

O irmão maior e igualmente raro, Dart SE.

 Hoje o Dodge 1800 SE é um modelo raríssimo, até mesmo as versões mas comuns já são bem dificeís de se achar por aí. Lamenta-se os problemas técnicos que o carro possuía, o desempenho tímido se comparado por exemplo, com seu irmão equivante inglês, o Hilmann Tiger, e as idiossincrasias (pra não dizer frescura mesmo) do consumidor da época. O Dodginho encontrou mais carinho do público na vizinha Argentina, mas apesar de obscuro aqui, já é um clássico e versões especiais como essa são extremamente valorizadas.

O primo rico inglês: Hilmann Tiger, o Avenger esportivo com desempenho superior ao Dodginho brasileiro.

Interior do SE: Acabamento pra lá de Franciscano.

Assista abaixo o vídeo promocional da Chrysler, por ocasião do lançamento do Dodginho em 1973.

Ficha Técnica

Fabricante:  Chrysler do Brasil – São Bernardo do Campo, SP – Brasil

Motor

  • Cilindrada: 1.8 litros
  • Torque: 14,5 kgfm @ 3000rpm
  • Potência: 83cv @ 4600 rpm
  • Relação peso/potência: 11,20 kg/cv

Dimensões e Peso

  • Comprimento: 4,12m
  • Largura: 1,59m
  • Entre-eixos: 2,49m
  • Peso: 930kg

Desempenho

  • o a 100 km/h: 14.05s
  • 0 a 1000m: 35.02s
  • Velocidade Máxima: 160 km/h

Fonte: Revista Quatro Rodas, Número 166, 1975

Autor: Emerson Martinez