IKA Renault Torino 380W 1973

6 08 2010

IKA Renault Torino 380W: O melhor esportivo argentino de todos os tempos...

A legenda acima não é um exagero, o Torino 380W produzido pela Joint-Venture IKA- Renault, é mais que um esportivo clássico, é um orgulho nacional argentino. Tornou-se um carro cult ainda em produção, adquirido por alguns líderes mundiais quase venceu as 24 horas de Nurburgring em 1969, foi tri-campeão da TC (Turismo Carretera), enfim ao Torino sobram qualidade e adjetivos. É um automóvel de categoria mundial, produzido sim senhor, na América Latina.

A IKA Renault nasceu em 1955 de uma Joint-Venture em cima de outra Joint-Venture, entre a Renault-Willys e a Kaiser Motors americana, também conhecida posteriormente por American Motors. O Torino argentino é irmão gêmeo, separado “ao nascer”, do AMC Rambler Rogue de 1964. O irmão portenho porém, ganharia traços italianos do estúdio Pininfarina de um projeto que originalmente pertencia ao designer Richard A. Teague.

AMC Rambler Rogue, o irmão 'musculoso' do norte e...

...'su hermano' argentino, IKA Renault Torino com uma pitada italiana e francesa...

Em meados de 1966, o Torino iniciava sua produção na Argentina, e já com o título não reconhecido de esportivo mais veloz da América do Sul. Na versão 380W atingia já os 200km/h, e acelerando até os 100km/h em 10 segundos. Desempenho bem superior aos do Simca Emisul e do JK2150 dois dos nacionais mais velozes desta mesma época. Mas dentro de casa o Torino já tinha rivais à altura; o Ford Falcon e o Chevrolet Chevy 250 (o Nova argentino) ambos também com origem norte-americana, mas com modificações e adaptações do mercado argentino.

A versão 380W tinha um motor de 6 cilindros e 3,8 litros, equipado com três carburadores duplos Weber 45 (dai o codinome 380W),  que rendiam no auge da forma deste esportivo, em 1973,  218cv de potência. Igualando-se ao Dodge GTX que era um pouco maior e mais pesado, e bem mais potente que o Ford Falcon SP que rendia meros 166cv.

Esportivo argentino com um pouco de DNA Muscle Car.

Três famintas Weber 45 duplas alimentam o motor.

Misión Argentina 1969

Até 1969 o Torino não vendia lá essas coisas, mas estamos falando de um tempo de montadoras corajosas, que não temiam colocar seu produto à prova contra a concorrência ou produtos internacionais para mostrar ao público consumidor sua qualidade. Não, não senhor, não foi criada uma categoria monomarca chata tipo “Copa Torino”.

O que a IKA Renault fez foi uma equipe de corridas com 3 Torinos 380W , presidida por ninguém menos que Juan Manuel Fangio, tendo como cordenadores Tibor Teleki e Carlos Lobosco e chefe de equipe em pista Orestes Berta o mesmo desenvolvedor do Maverick Hollywood da Divisão 3 em 1974.

Os três Torinos foram disputar as 24 horas de Nurburgring, disputando curva a curva do complexo circuito com o melhores carros médios produzidos na Europa, ou os potentes Pony Cars americanos V8 de pegada ‘Muscle’ como Mustangs e Camaros por exemplo.

O 380W 1969 de Nurburgring: Autor de uma façanha que parou um país...

O vencedor 'Moral' ficou por um escapamento rompido e a rigidez do regulamento da glória total.

Os Torinos de Nurburgring eram quase Stock, apenas com gaiola interna, e outras modificações, como saliências do capô com a curiosa função de ricochetear detritos e insetos pra bem longe do pára-brisas. Já o painel era o mesmo do carro de rua, com todos os mostradores e o motor um pouco envenenado entregava 250cv.

A prova foi transmitida para toda a Argentina via Rádio e TV, com grandes expectativas, um verdadeiro clima de Copa do Mundo e de grande exaltação nacionalista. Turnos em fábricas e escritórios interrompidos enquanto os bravos Torinos argentinos deixavam americanos e europeus pequenos em seus retrovisores.

Lá pelas tantas, o Torino dos pilotos “Larry”, Eduardo Coppello, Oscar Mauricio Franco liderava a prova com folga na sua categoria, e estavam em quarto no geral, até que um escapamento se soltou. A parada nos boxes para reparar o dano, mais a rigidez do regulamento que puniria o carro em menos 5 voltas pelo dano sofrido, roubaram do Torino a glória máxima, um feito que seria inédito para o esporte à motor da Argentina e do continente.

Até hoje no entanto o IKA Renault Torino detêm o recorde de quantidade voltas dadas em Nurburgring sem nenhuma quebra de motor. Esse carro se encontra hoje no Museu dedicado à Juan Manuel Fangio.

Veja aqui neste video mais detalhes deste fantástico carro:

O Torino ainda seria tri-campeão da categoria TC, a prova de turismo argentino, em 1967, 1970 e 1971. O esportivo também conquistou outras tantas provas em outras categorias, mas será sempre lembrado pelo seu feito na Alemanha.

O Torino “Civil”

A revista argentina Corsa testou o modelo 380W  modelo 1973,  o qual atingiu a máxima de 203km/h com seus quase 220cv. O consumo como é de se esperar, muito alto. O Torino consumia pouco mais de 4km/l de combustível na cidade, e fazia 7 km/l de média. Mas os bolsos dos argentinos daqueles tempos eram mais abonados e prontos para bancar tamanha sede.

Mais abonados ainda eram alguns donos ilustres do Torino tais como: Fidel Castro, Leonid Brezhnev, e Muammar al-Gaddafi. A fama do Torino já não cabia dentro das fronteiras portenhas, porém os brasileiros, sempre isolados do mundo hispânico e muito atentos ao planeta anglo-saxão e europeu ainda hoje desconhecem a história e as qualidades deste carro.

O carrão foi sonho de consumo até do socialista Fidel Castro.

Se você ver um desses na Líbia, com certeza é o do Muammar Gaddafi

218cv (SAE) garantem ao Torino mais de 200km/h de máxima.

Nada de plástico, acabamento robusto digno dos anos 70.

Los Hinchas Boludos

Entre a fase IKA até a compra da mesma pela Renault foram 15 anos de produção. Quando foi descontinuado em 1982, o Torino já estava envelhecido em estilo, mas mesmo nas versões mais mansas ostentava ainda um ótimo desempenho.

Porém nos anos 80 não havia lugar para carros grandes, beberrões e de tração traseira. Se nem os americanos aguentavam mais sustentá-los quem dirá os argentinos ou mesmo os brasileiros, também com seus modelos equivalentes. Assim o Torino saiu das linhas de montagem para a história. 

O Torino hoje é respeitado por quase todos os argentinos, digo quase porque lá, como aqui também, se cultiva a grande imbecilidade de rivalizar clássicos de maneira negativa. Como torcedores organizados de futebol peçonhentos e acéfalos  os “chevrolistas”, “fordistas” e “dodgistas”  rejeitam o carro e ofendem seus proprietários, como se isso de alguma forma ajudasse a perservar os carros preferidos destes.

Para o bem do automobilismo trata-se de uma minoria burra que em nada podem manchar a importância deste e de outros modelos. Eu por minha vez não discrimino nenhum clássico, gosto de todos.

Último Torino em 1982: já envelhecido o único item moderno é o encosto de cabeça vazado.

Videos: Não economizei nos videos, alguns de proprietários de Torino. Um Torino de arrancada com 1000cv de potência, e uma propaganda de TV do modelo TSX. Vaya cochazo hombre!

Fabricante: IKA Renault S.A – Santa Isabel, Província de Córdoba – Argentina.

  • Motor: 3,8 litros, 6 clilindros em linha
  • Potência: 218cv @ 4300rpm
  • Torque: 35mkgf @ 2000rpm
  • Peso: 1385kg
  • Comprimento:  4,73m
  • Largura: 1,80m
  • Altura: 1,41m
  • 0-100 Km/h:  10.30s
  • 0-120 Km/h: 14.50s
  • 0-140 Km/h:  18.53s
  • 0-1000 Metros:  31.20s
  • Velocidade Máxima: 203km/h

Fonte: Corsa Nº 342, Novembro de 1972 e site www.testdelayer.com.ar

Texto: Emerson Martinez





Dodge Polara GTX 1971

3 03 2010

Dodge GTX - O Mopar Portenho.

O braço da Chrysler em terras argentinas que até meados dos anos 60 fabricava a pick-up Dodge D100 e versões em CKD  pouco nacionalizadas do Valiant norte-americano, resolveu em 1968 lançar seu médio-grande (para os padrões latino-americanos) com motores de 6 cilindros 225 (Siant-Six, 3.7 litros)  e o 318 V8 (5.2 litros) ambos de origem americana, como já sabemos.

Até então o mercado argentino estava pobre de verdadeiros esportivos, carros pequenos e pouco afetos da velocidade, como o Fiat 1600 por exemplo. A Chrysler identificou a lacuna e lançou em 1970 o Dodge Polara GTX cupê 318, que se tornaria lá (como foi aqui também) o maior motor já produzido no país.

Para os que alimentam a rivalidade, uma má noticia: Ele anda mais que nosso Charger...

Havia também a opção sedã de 4 portas, que foi fabricada também na Espanha, na planta que a Chrysler tinha instalado em Villaverde, Madri, lá nomeada 3700GT. Mas os espanhóis andavam apenas com o motor 6 cilindros, devido ao alto preço da gasolina na Europa o V8 foi inviabilizado, eles não tinham também a versão cupê, oportunamente falaremos aqui do modelo espanhol. 

Na Argentina além do GTX havia o R/T, cujo o grafismo de faixas era semelhante ao Dart SE nacional, esta versão era equipada com o 6 cilindros, 3.7 litros com 176 cv de potência. O GTX tinha um acabamento meio esportivo, meio luxuoso diferenciando-se do formalismo do Polara sedã e do despojamento ultra-esportivo do R/T, era o meio termo pra quem queria ter desempenho com conforto.

Dodge 3700GT: O "irmão" madrilenho de 6 cilindros.

Painel e volante lembram os Dodges nacionais.

Carroceria desenvolvida pelos argentinos sob a plataforma do Dart.

O desenho é inédito para brasileiros e completamente obscuro talvez para a maioria dos moparzeiros americanos, foi montado na plataforma A-body a mesma do Dodge Dart, o Dodge ‘hispânico’  tinha mais ou menos as mesmas dimensões do Dart, sendo só um pouco mais longo e largo.

O Dodge GTX apresentou números um pouco superiores aos do nosso Charger R/T, poderia ser a diferença da qualidade da gasolina? Acerto do motor? Dificil dizer, mas ver numa pista ambos Chrysler latino-americanos num racha seria um ‘Brasil e Argentina’ muito interessante de se ver.

GTX: um desafiante e tanto para o nosso Charger

318 V8: o maior motor da história da Argentina também.

No mercado argentino o principal rival do Dodge GTX era o Ford Falcon SP que era impulsionado por um 6 cilindros, mas tinha quase o mesmo desempenho por ser um pouco menor. Apesar do apelo esportivo e excelente desempenho, as versões V8 tiveram pouca saida se comparamos com os modelos de 6 cilindros, o fim desses beberrões da Chrysler na Argentina foi parecido com o destino da mesma aqui no Brasil. Venda da filial para a Volks em 1979 e descontinuação da linha em 1980, (um ano antes lá). O único Chrysler sobrevivente foi o Dodge 1500 (semelhante ao nosso pequeno Polara) mas já um carro Volkswagen com emblema e tudo.
 
Veredicto: Diferente das plantas Chrysler latino-americanas do México, Colômbia e Brasil, a filial da Argentina decidiu inovar e criar seu próprio “Pônei”, pode até ser que ele  não tenha o mesmo charme do Charger brazuca e suas rabetas revestidas em vinil, mas o grande Polara argentino em todas as suas versões é um clássico que merece uma olhada mais de perto e quem sabe uma pilotada?  Rivalidades a parte, eu queria um pra mim, Mopar 100% colecionável.

A versão V8 desses grandalhões vendeu pouco.

Ficha Técnica:

Fabricante: Chrysler Fevre – San Justo, Buenos Aires – Argentina.

Motor:

  • Cilindrada: 5.2 litros
  • Torque: 42,9 kgfm a 2600 rpm
  • Potência: 215cv a 4400 rpm
  • Relação peso/potência: 7,39 kg/cv

Dimensões e Peso:

  • Comprimento: 5,02
  • Largura: 1,90m
  • Peso: 1590kg

Desempenho:

  • 0 a 100 km/h: 9,2s
  • 0 a 120 km/h: 13,5s
  • o a 1000m: 31.6s
  • Velocidade Máxima: 197,5 km/h

Fonte: Revistas AutoMundo e Parabrisas Corsa

Autor: Emerson Martinez