Renovação da Frota, Mais um Engodo…

14 08 2010
A linha VW de outros tempos e a chatice prateada de hoje em dia…

Como se não bastasse a obrigatoriedade da inspeção veicular, outro fantasma ronda os proprietários de carros antigos; a renovação da frota como medida “ambiental”  e de “segurança viária.” Como se o uso mais inteligente e racional do automóvel, a manutenção independente do tempo de uso, e a educação para o trânsito não fossem tópicos inerentes e até mais importantes para a compreensão destes problemas. A idéia é simplesmente transformar factóides em legislação com medidas superficiais e verticalizadas e ainda com o viés arrecadatório como pano de fundo.

Administratores, “especialistas” do sistema viário, urbanistas, ‘ecochatos’ e ‘burrocratas’ em geral que apoiam essa medida, não sabem (ou fingem não saber) sobre os inúmeros impactos ambientais que envolvem a fabricação de um único automóvel atualmente. Fomentar a compra de um automóvel zero Km, com o sucateamento de outro usado ou antigo, muitas vezes ainda em condições de reparo e uso, é uma medida tão estéril para desafogar o trânsito e melhorar a qualidade do ar, quanto a construção de pontes e viadutos ao invés de se investir no transporte de massa. Ou a adoção deste “meio-rodizio” cuja brecha dos horários de implantação, não remove os carros das ruas, pois os mesmos ficam guardados em estacionamentos, enquanto seus donos aguardam a expiração do horário fazendo um happy hour em bares pela cidade. (Lei Seca? Hã?)

Uma moto pode poluir até 7X mais que um automóvel moderno.

Carros antigos, bem ou mal conservados, são minoria na frota, além disso, rodam menos, e portanto ao longo de um mês podem contaminar menos o ar do que um carro moderno, catalisado e injetado que roda todo dia. Carros  de frota, táxis, de profissionais liberais, e do funcionalismo público que geralmente são mais novos e rodam muito, poluem mais que os Mavericks do Clube do Ford V8.  Será que além da injusta inspeção imposta para veículos antigos, haverá num futuro próximo alguma taxação ou imposição legal para que seus donos se desfaçam de seu patrimônio?

Sem falar no mal uso em geral que a população faz do automóvel. Pessoas que retiram o carro da garagem para rodar 500 metros. Que não oferecem carona a um parente próximo ou vizinho para colaborar com a fluidez do tráfego. Que burlam o rodízio saindo mais cedo e voltando mais tarde para casa, ou que simplesmente compra dois ou até mesmo três carros novos ou seminovos.

E as motos? Cada vez mais numerosas e muito poluentes, se multiplicaram devido a uma linha de crédito generosa, aliada a um baixo preço, consumo de combustível e manutenção idem. No entanto poluem tanto quanto um charmoso DKW “papa-óleo”, deixando muitas tosses e algum nivel de surdez por onde passam.

Cara, Cadê Meu Esportivo?

Desfeito o argumento “ambiental”, vamos ao mercadológico. A falta de opções e variedades do parque industrial brasileiro, está “maquiado” em parte, pelas importações sem taxas do México e dos produtos argentinos via Mercosul. Mas se observarmos apenas domesticamente, chegaremos a conclusão que o salto da industria automobilística nacional foi mais quantitativo que qualitativo.

Itens de série que são oferecidos como opcionais, pouca variedade de cores, e a morte de segmentos, como o de carros esportivos, podem animar um dono de antigo a trocar de carro? Carros atuais cada vez menos completos e caros, adquiridos pela fugaz sensação de possuir um zero? Em detrimento de um carro confortável, potente e completo cuja configuração e conceito sequer é mais oferecida por um equivalente atual? Acho que não cumpadi…

Ontem e Hoje: Cada vez menos opção e emoção na hora de comprar um carro...

Para os que não abrem mão do prazer de dirigir um automóvel possante e completo em acessórios. Que não ligam para consumo porque pode bancá-lo, ou simplesmente porque não usará o carro todos os dias, para todos os lugares como se fosse uma cadeira de rodas, fica dificil de entender o porque da necessidade desta “renovação”. Impostos embutidos no preço do carro, IPVA, impostos nos combustíveis, taxas para licenciamento veicular, e agora querem dizer quando nós devemos trocar nosso prezado veículo clássico que tinindo mal passa pela injuriosa inspeção por exemplo…

E para nos oferecer o quê? Quase não há mais Station Wagons nacionais, apenas uma picape de grande porte nacional, a Ford F250, e pra finalizar apenas dois esportivos, o Honda Civic Si e o Fiat Punto T-Jet, (contra meia-dúzia que tínhamos nos anos 70, somente ficando nos de grande porte). Se você é o feliz proprietário de  uma perua, picape grande ou um esportivo relativamente antigo, não encontrará quase nada novo na industria nacional para substituir seu carro, se é que quer ou deve fazê-lo…

-Fato, para adquirir um carro  zero km com alguma qualidade e com preço quase de nacional, você terá que recorrer aos importados isentos de taxa, mexicanos e argentinos. O que derruba outro argumento favorável à renovação da frota – A geração de empregos aqui.

Ficam as questões: a renovação da frota resolverá os problemas de poluição, trânsito, segurança viária e nos dará produtos melhores através da concorrência franca fomentada pelo consumo? NÃO.

A renovação da frota, por outro lado favorecerá apenas o Estado e seu insaciável apetite arrecadatório?  Uma industria automobilística cada vez mais acomodada, seria beneficiada por nos empurrar guela abaixo seus produtos defasados, via medida compulsória? Bom, você consumidor que dê sua resposta…

Emerson Martinez





Dodge 1800 SE 1975

26 04 2010

Dodginho SE 1800: Receita de esportivo barato.

No Brasil dos anos 70, além de esportivos médio-grandes de grande potência tínhamos também um segmento mais ‘light‘ digamos assim. Os esportivos médio-pequenos representavam um importante nicho de carros com um acabamento e aparência mais agressivos, para atrair o público mais jovem. Porém essa esportividade não foi muito representada em termos de performance.

A Chrysler brasileira que já tinha seu esportivo de grande desempenho, resolveu entrar nesse mercado, que em 1975 já contava com o Corcel GT da Ford e a Volkswagen que já havia lançado o Fusca 1600S (o Bizorrão), preparava o lançamento do Passat TS. O Dodge 1800 que era muito semelhante ao pequeno Hilmann Avenger inglês, fôra lançado dois anos antes, em 73, em uma tentativa da Chrysler de lançar um produto mais econômico em plena crise do petróleo.

O Dodge 1800 era o mais veloz de sua categoria.

A Chrysler resolveu seguir a velha receita de esportivo simplificado, o acabamento do Dodginho era bem simples, parachoques na cor preta ao invés de cromados, rodas pintadas na cor do carro, e bancos e demais itens revestidos em vinil.

O que chama a atenção era a diferença de desempenho entre o pequeno Chrysler e seus concorrentes. Ele tinha mais potência e cilindrada, enquanto que a maioria dos rivais utilizavam motores de 1.3 a 1.5 litros e tração dianteira, o “Moparzinho” tinha motor 1.8 e tração traseira. Não por acaso o Dodge 1800 ganhava muitas corridas em competições pelo Brasil, seguido de perto pelo então moderno Passat.

A proposta do Dodginho SE era a mesma que a montadora tinha para o Dart SE, porém todos os modelos lançados no Brasil, de carros com acabamento simplificado no intuíto de reduzir custos, não obtiveram sucesso comercial. No caso do Dodginho fracasso ainda mais acentuado por inúmeros problemas de projeto que o modelo apresentava, e que só foram corrigidos nos Dodginhos de segunda geração em 1978, quando o modelo passou a se chamar Polara.

Um raro modelo sobrevivente no encontro de Águas de Lindóia.

O mercado brasileiro da época rejeitava versões muito simplificadas.

Ruim de vendas ele se vingava nas pistas...

O irmão maior e igualmente raro, Dart SE.

 Hoje o Dodge 1800 SE é um modelo raríssimo, até mesmo as versões mas comuns já são bem dificeís de se achar por aí. Lamenta-se os problemas técnicos que o carro possuía, o desempenho tímido se comparado por exemplo, com seu irmão equivante inglês, o Hilmann Tiger, e as idiossincrasias (pra não dizer frescura mesmo) do consumidor da época. O Dodginho encontrou mais carinho do público na vizinha Argentina, mas apesar de obscuro aqui, já é um clássico e versões especiais como essa são extremamente valorizadas.

O primo rico inglês: Hilmann Tiger, o Avenger esportivo com desempenho superior ao Dodginho brasileiro.

Interior do SE: Acabamento pra lá de Franciscano.

Assista abaixo o vídeo promocional da Chrysler, por ocasião do lançamento do Dodginho em 1973.

Ficha Técnica

Fabricante:  Chrysler do Brasil – São Bernardo do Campo, SP – Brasil

Motor

  • Cilindrada: 1.8 litros
  • Torque: 14,5 kgfm @ 3000rpm
  • Potência: 83cv @ 4600 rpm
  • Relação peso/potência: 11,20 kg/cv

Dimensões e Peso

  • Comprimento: 4,12m
  • Largura: 1,59m
  • Entre-eixos: 2,49m
  • Peso: 930kg

Desempenho

  • o a 100 km/h: 14.05s
  • 0 a 1000m: 35.02s
  • Velocidade Máxima: 160 km/h

Fonte: Revista Quatro Rodas, Número 166, 1975

Autor: Emerson Martinez