Esportivos Nacionais (Parte I)

8 09 2010
1964 Willys Interlagos

Retratos de um país que gostava de acelerar.

Postamos mais uma série de papéis de parede, agora de esportivos nacionais. Modelos que foram adaptações ou recriações de veículos estrangeiros, ou mesmo tentativas heróicas de desenvolver esportivos quase 100% brasileiros (caso de Puma, Miura, Bianco e etc). Retratos de um tempo que não volta mais, de um mercado que embora pequeno era pulsante em cores, modelos, motores e desempenho. 

Quando a fonte de alimentos destes dinossauros escasseou em 1973 (crise do petróleo) tornaram-se praticamente extintos, dando lugar a animais menores e menos famintos.  Hoje o Brasil é um mercado anual de 3,5 milhões de automóveis com apenas 2 esportivos e nenhum deles ultrapassa os 200cv. O que a antiga Chrysler nacional chamaria de “brincadeira”.

(Em breve a parte II)

Emerson Martinez

 

Anúncios




Dodge 1800 SE 1975

26 04 2010

Dodginho SE 1800: Receita de esportivo barato.

No Brasil dos anos 70, além de esportivos médio-grandes de grande potência tínhamos também um segmento mais ‘light‘ digamos assim. Os esportivos médio-pequenos representavam um importante nicho de carros com um acabamento e aparência mais agressivos, para atrair o público mais jovem. Porém essa esportividade não foi muito representada em termos de performance.

A Chrysler brasileira que já tinha seu esportivo de grande desempenho, resolveu entrar nesse mercado, que em 1975 já contava com o Corcel GT da Ford e a Volkswagen que já havia lançado o Fusca 1600S (o Bizorrão), preparava o lançamento do Passat TS. O Dodge 1800 que era muito semelhante ao pequeno Hilmann Avenger inglês, fôra lançado dois anos antes, em 73, em uma tentativa da Chrysler de lançar um produto mais econômico em plena crise do petróleo.

O Dodge 1800 era o mais veloz de sua categoria.

A Chrysler resolveu seguir a velha receita de esportivo simplificado, o acabamento do Dodginho era bem simples, parachoques na cor preta ao invés de cromados, rodas pintadas na cor do carro, e bancos e demais itens revestidos em vinil.

O que chama a atenção era a diferença de desempenho entre o pequeno Chrysler e seus concorrentes. Ele tinha mais potência e cilindrada, enquanto que a maioria dos rivais utilizavam motores de 1.3 a 1.5 litros e tração dianteira, o “Moparzinho” tinha motor 1.8 e tração traseira. Não por acaso o Dodge 1800 ganhava muitas corridas em competições pelo Brasil, seguido de perto pelo então moderno Passat.

A proposta do Dodginho SE era a mesma que a montadora tinha para o Dart SE, porém todos os modelos lançados no Brasil, de carros com acabamento simplificado no intuíto de reduzir custos, não obtiveram sucesso comercial. No caso do Dodginho fracasso ainda mais acentuado por inúmeros problemas de projeto que o modelo apresentava, e que só foram corrigidos nos Dodginhos de segunda geração em 1978, quando o modelo passou a se chamar Polara.

Um raro modelo sobrevivente no encontro de Águas de Lindóia.

O mercado brasileiro da época rejeitava versões muito simplificadas.

Ruim de vendas ele se vingava nas pistas...

O irmão maior e igualmente raro, Dart SE.

 Hoje o Dodge 1800 SE é um modelo raríssimo, até mesmo as versões mas comuns já são bem dificeís de se achar por aí. Lamenta-se os problemas técnicos que o carro possuía, o desempenho tímido se comparado por exemplo, com seu irmão equivante inglês, o Hilmann Tiger, e as idiossincrasias (pra não dizer frescura mesmo) do consumidor da época. O Dodginho encontrou mais carinho do público na vizinha Argentina, mas apesar de obscuro aqui, já é um clássico e versões especiais como essa são extremamente valorizadas.

O primo rico inglês: Hilmann Tiger, o Avenger esportivo com desempenho superior ao Dodginho brasileiro.

Interior do SE: Acabamento pra lá de Franciscano.

Assista abaixo o vídeo promocional da Chrysler, por ocasião do lançamento do Dodginho em 1973.

Ficha Técnica

Fabricante:  Chrysler do Brasil – São Bernardo do Campo, SP – Brasil

Motor

  • Cilindrada: 1.8 litros
  • Torque: 14,5 kgfm @ 3000rpm
  • Potência: 83cv @ 4600 rpm
  • Relação peso/potência: 11,20 kg/cv

Dimensões e Peso

  • Comprimento: 4,12m
  • Largura: 1,59m
  • Entre-eixos: 2,49m
  • Peso: 930kg

Desempenho

  • o a 100 km/h: 14.05s
  • 0 a 1000m: 35.02s
  • Velocidade Máxima: 160 km/h

Fonte: Revista Quatro Rodas, Número 166, 1975

Autor: Emerson Martinez