“Vamos sacudir, sacudir pelas ruas.”

5 08 2010

King Tee e os chassis saltadores do Lowrider...

Lowrider é mais do que um carro “tunado” é uma cultura urbana criada pelos imigrantes hispânicos da Califórnia do pós-guerra. Suspensões hidráulicas, solenóides, muitas baterias e a devoção à Virgem de Guadalupe fazem parte deste extrato social que hoje é difundido mundialmente.

Precisamente nos anos 90 a cultura Lowrider encontrou outra cultura, a do Hip Hop da costa -oeste  americana, tanto que transformou o Impala principlamente os modelos 63 e 64 em ícones do rap na época. Os Lowriders passaram a serem desenvolvidos também nos guetos afro-americanos, e os rappers não ficaram de fora; Snoopy Doggy Dogg, Dr Dre, Cypress Hill, e também King Tee, que na minha opinião, tem o melhor clipe e música de Lowrider.

Na faixa ‘Dippin’ do album  IV Life, (na tradução do inglês, dippin é  algo como sacudir para frente e para trás) o rapper infesta as ruas do bairro Creenshaw, em Los Angeles, de Impalas de várias gerações, e outras barcas imensas como Cadillacs e alguns Monte Carlos. Hoje porém, a população negra dos EUA, deixou um pouco de lado os Lowriders, preferindo SUV’s modernas equipadas com um bom sistema de áudio e com rodas cromadas de grande aro, categoria essa chamada lá de DUB.

Espero que gostem da música e dos Lowriders, sempre que vejo esse clipe me dá vontade de ter um…

-Emerson Martinez

O Impala é o carro do Gangsta Rap...(Com uma pistola dessa quem precisa de blindagem? rsrsrsrs)





O Vigilante Rodoviário

27 07 2010

Carlos e Lobo: Primeiros heróis nacionais da TV

Quando a televisão brasileira tinha um pouco mais de uma década de existência, eram exibidas séries de super-heróis que hoje são ícones clássicos tais como Roy Rogers ou o nipônico National Kid. Porém nenhum destes um herói brasileiro, até que para preencher esta lacuna o cineasta Ary Fernandes idealiza, produz e dirige a série Vigilante Rodoviário, fruto de sua admiração pela Policia Rodoviária Federal.

Veículada semanalmente nas noites de quarta-feira  pela TV Tupi depois do Repórter Esso, a série estreiou em Janeiro de 1962 com duração de 22 minutos descontados os “reclames”, e realizada pela produtora Procitel que ainda hoje detêm os direitos autorais do seriado. No total foram produzidos 38 episódios com os mesmos personagens: O tenente Carlos (Carlos Miranda) o cão policial Lobo (nome real King) e o garoto Tuca (Reginaldo Vieira) houve também participações de atores até hoje conhecidos como o veterano Milton Gonçalves.

Carlos Miranda e Lobo (King) em um momento de descontração na pausa das filmagens.

Vigilante Carlos e o garoto Tuca (Reginaldo Vieira)

O Vigilante Rodoviário foi um grande marco para a cinematografia brasileira, já que foi o primeira série de TV da América Latina e a quarta em todo mundo filmada em película e com cenas externas. Todos os episódios tinham o mesmo roteiro básico “mocinho contra bandido” com lições de retidão e heroísmo ao final de cada história, estilo tipico das séries estrangeiras daquela época.

Pode-se dizer que O Vigilante Rodoviário era uma série policial, no entanto não havia cenas fortes de violência, apenas luta corporal entre o Vigilante Carlos e os vilões, ou ataques de Lobo que ao seu modo também lutava contra o banditismo. Assim sendo a série tinha um conteúdo perfeitamente adequado ao público infanto-juvenil.

A primeira série da América Latina e a quarta do mundo filmada em película.

Uma das viaturas da série: um Simca Chambord 1959

O seriado foi exibido durante todo o ano de 1962, e reexibido em 1967 ainda pela TV Tupi, e depois nos anos 70 já pela Rede Globo. Nos moldes atuais de veiculação de séries podemos dizer que o Vigilante Rodoviário teve apenas uma temporada. Apesar do sucesso de público, dos inúmeros prêmios e do patrocínio de empresas como a Nestlé, a produção teve problemas financeiros para seguir adiante. O próprio Carlos Miranda em entrevista, poucos anos depois do término de Vigilante Rodoviário, disse que ganhava o suficiente apenas para pagar as contas e que nunca ficou rico apesar da fama.

O Vigilante Rodoviário de 1978

Ary Fernandes anos depois tentou reviver o legado do Vigilante Rodoviário. Em 1978 com o apoio da hoje extinta Embrafilme, rodou um longa que serviria de piloto para a nova série, 16 anos depois e com elenco totalmente renovado. Para o papel do Vigilante Carlos foi escolhido o ator Antônio Fonzar, conhecido na época por papéis de ‘galã’.

Esta produção teve grande colaboração da Polícia Militar, no papel de Lobo por exemplo, foram designados três pastores alemães treinados da PM, os cães; Lobo, Dom e Elke. O comando da PM também forneceu apoio logistico e treino de abordagem e combate para o ator principal.

O Vigilante de 1978: Antônio Fonzar no Papel de Carlos e um Pastor da PM 'interpretando' Lobo.

Para esta nova produção o Vigilante Carlos ganhou também uma nova viatura, um Dodge Dart sedã, muito embora os veículos das Polícias Rodoviárias Estaduais e Federal  da época fossem na verdade Fuscas e Caravans. Segundo Vania da Procitel o Dart viatura foi posteriormente dado por Ary Fernandes a um amigo dentista, mas o carro não existe mais há anos. A locação do filme se deu na cidade de Atibaia que fica a 60km de São Paulo.

A intenção de Ary Fernandes, era a de trazer mais qualidade em termos de argumento para o cinema nacional daqueles tempos dominados pelo gênero pornô-chanchada. O produtor teve aprovação prévia dos orgãos censores da ditadura brasileira, como de praxe, para poder realizar este filme. Infelizmente porém, o então novo Vigilante não saiu do filme inicial, devido a problemas enfrentados pela Embrafilme. A cópia original deste filme nunca foi exibida para o grande público e hoje se encontra guardada no acervo da Cinemateca do Estado de São Paulo.

Infelizmente o "novo" Vigilante não saiu do piloto nunca exibido.

Sobre o Simca Chambord

O Vigilante Rodoviário utilizou algumas viaturas, na série dos anos 60 foram três: Um Ford 1949 (usado em apenas 3 episódios), uma moto Harley-Davidson 1952 (que aparece na maioria das histórias), e a mais famosa, um Simca Chambord 1959. Assim como o Dart do filme de 1978, o Simca Chambord da série de TV não era o verdadeiro carro de trabalho da Polícia Rodoviária.

O Simca Chambord é de origem francesa, mas que também passou a ser fabricado no Brasil, o Chambord 1959 foi o primeiro carro nacional de grande porte, a sua escolha para a série talvez tenha sido para dar a produção um ar “americanizado” embora sua origem seja europeia o Chambord tinha os famosos rabos-de-peixe, recurso de estilo tipico dos carrões americanos.

O Simca do Vigilante Carlos.

Chambord: São apenas 85cv (SAE) para empurrar quase 5m de carroceria.

Embora belo, o Chambord não tinha um desempenho que o qualificasse para a policia rodoviária. Seu motor V8 europeu de 2.4 litros rendia apenas 85cv (norma SAE) pouco para locomover seus 4,80 metros de comprimento e 1300kg. De fato sua máxima não ultrapassava os 130km/h. Para a sorte do Vigilante Carlos, nenhum dos bandidos que enfrentou possuía um Chevrolet Impala com motor V8 small-block. Carro importado que era figura fácil nas grandes cidades brasileiras da época, e mais do que suficiente para deixar a viatura do nosso herói para trás.

No entanto, anos depois, o Chambord ganhou potência, 110cv na versão Tufão em 1964 e 140cv na versão Emisul lançada em 1967. Se a série tivesse sobrevivido até então, o Vigilante Carlos estaria mais bem aparelhado. Foram usados no total 5 Simcas Chambord, 2 com pintura de viatura, e outros 3 como carros de apoio e carros dos bandidos, apoós a série os cinco veículos foram devolvidos a fábrica pois o contrato era de ‘comodato’. Não há noticias posteriores da sobrevivência, restauração e conservação destes carros. O Simca que Carlos Miranda possuí é uma réplica do original.

Carlos Miranda e o seu Chambord réplica da viatura original.

Carlos Miranda após o seriado se apaixonou pelo ofício de Policial Rodoviário, tanto que se tornou um e trabalhou na corporação até sua aposentadoria. O ex-ator e ex-policial Carlos Miranda comparece em encontros de carros antigos Brasil afora trazendo muitas recordações para as antigas gerações e fascínio para as novas, acompanhado de um pastor alemão, provavelmente de nome Lobo.

O Vigilante Hoje

Para os saudosos desta clássica série, uma boa notícia, o canal de TV a cabo, Canal Brasil está reprisando 35 dos 38 episódios produzidos (2 episódios estão parcialmente destruídos, 1 totalmente), os horários de exibição são: às segundas às 20:30h, com reapresentação terças às 15:30hs e domingos às 11:00hs. Consta ainda que o Canal Brasil finalmente exibirá o longa metragem de 1978, quem ainda tiver Videocassete e fitas VHS, ou DVD Recorder convém gravar.

As aventuras do Vigilante Carlos podem ser vistas hoje no Canal Brasil

Lista de Episódios:

-A história do Lobo
-Os cinco valentes
-O recruta
-Bola de meia
-O ventríloquo
-Extorsão
-Jogo decisivo
-Pânico no ringue
-Zuni, o potrinho
-A orquídea glacial
-Remédios falsificados
-Os romeiros
-A repórter
-Diamante Gran Mongol
-O fugitivo
-Aventura em Ouro Preto
-Chantagem
-O homem do realejo
-A eleição
-A pedreira
-O pagador
-O sósia
-Aventuras do Tuca
-O invento
-Terras de ninguém
-O rapto do Juca
-Aventura em Vila Velha
-Pombo-correio
-Ladrões de automóveis
-O suspeito
-O garimpo
-A fórmula de gás
-Café marcado
-O assalto
-O mágico
-Mapa histórico
-O mordomo
-Mistério do Embu

Prêmios:  Troféu Roquete Pinto, Sete Dias na TV e Troféu Imprensa.

Videos: A abertura da série e entrevista com o produtor Ary Fernandes e uma rápida entrevista com Carlos Miranda.

Fonte: www.vigilanterodoviario.com confira a programação da série e do longa do Vigilante Rodoviário de 78 no Canal Brasil: www.canalbrasil.globo.com

Agradecimentos: Nossos sinceros agradecimentos à Vania da produtora Procitel que há colaborado com valiosas colaborações e correções.

Texto: Emerson Martinez.





Parada do Orgulho Clássico

8 06 2010

Inspeção veicular para antigos. Haverá luz no fim do túnel?

Mais um domingo da Estação da Luz, mais uma reunião mensal de clássicos. A temperatura baixa e o feriadão não diminuíram o público. Um sol tímido dava as caras, onde havia sombra, muito frio e escuridão, o que tornou um pouco díficil a tarefa de tirar fotos. O evento do dia  06/6 coincidiu com a Parada Gay, e não podemos dizer também que dono de carro clássico não pertença a um grupo ‘marginalizado’.

Os típicos bate-papos, sobre mecânica e procura de peças, neste domingo, cederam espaço para a injusta inspeção veicular, que também serão submetidos os automóveis antigos.  Injusta, porque se trata de automóveis que rodam pouco, uma vez por semana, alguns até uma vez por mês. Embora sejam sim mais poluentes na teoria, devido ao seu pouco uso, acabam jogando na atmosfera, menos monóxido de carbono que mordeníssimos carros injetados e catalisados que rodam diariamente, e muitas vezes desnecessariamente. Entupindo nossas vias  com congestionamentos monstro.

Que mané inspeção veicular o quê...Pedala Kassab!!!

Sem falar na proliferação de motos, uma moto pode chegar a poluir até 7X mais que um automóvel, e também rodando impunemente caminhões dentro da cidade, até no centro! A frota de ônibus coletivos é outra vilã, que pela cara tarifa cobrada pelas empresas do setor, poderiam já aportar investimentos em combustiveis alternativos menos poluidores.

Enfim, fica claro o caráter meramente arrecadatório da prefeitura, que reina sobre qualquer iniciativa sincera de melhorar o meio-ambiente e a qualidade de vida do cidadão. E se Gilberto Kassab pensa em se reeleger, pense de novo. No que depender pelo menos de donos de carros clássicos, e a maioria de membros de auto clubes, ele perdeu uma significativa e qualificada quantidade de votos.

Deixando a política de lado e falando de coisa que vale a pena. A Estação reuniu impecáveis classicos esportivos, e se eu tivesse que destacar uma marca, seria a Porsche. A começar por um rarissímo Spyder 718 RS60 1960, um outro modelo mais ‘domesticado’, um 356 1954 conversível e também o onipresente 911, preto ano 1978. Além dos alemães, 2 Minis clássicos, sendo um deles  o Morris GT1275, 1973 e sua frente “modernizada” reestilização que na época não agradou. Vale a curiosidade.

Olha que nesta inspeção, se bobear, vão querer ver até nossos dentes...

Um Corvette C2 1958 com rodas palito de maior diâmetro, outro Corvette já da crise energética de 1974 chamou a atenção do público e foi chamado de “Ferrari” algumas vezes. Um Caprice 1975 Lowrider no melhor estilo chicano me dificultou um pouco a vida para tirar fotos, tamanho era o assédio das pessoas. Além das fotos confira nosso video amador dessa bela barca.

Dos nacionais destaco o raro esportivo Puma GTB, 100% brasileiro em termos de projeto, esse também ganhou outras marcas e versões na boca dos leigos. Encontro de antigos é assim, um pouco de entreterimento e um pouco educativo. Se pode aprender muito sobre carros e até como a votar decentemente., mas não confiem só nas minhas palavras, apareçam lá no mês  que vem para prestigiar.

-Emerson Martinez

AS MÁQUINAS

Porsches Clássicos:

Porsche 718 RS60 Spyder, 1960

Porsche 356 Conversível, 1954

Porsche 911, 1978

 

Alfa Spyder, Bugatti Type 35A, Mini Coopers:

Alfa Romeo Spyder, 1968

Trivia: Este é o mesmo modelo que Dustin Hoffman dirigiu no filme, A Primeira Noite de um Homem.

Mini Morris 1275GT, 1973

O Mini Cooper por sua vez "atuou" no filme, Um Golpe à Italiana, com Michael Caine.

Mini Cooper S, 1968

Bugatti Type 35A, 1925 (Réplica)

 
Os Chevys:
 

Chevrolet Corvette C2, 1958

Polêmicos vincos no capô...

Corvette Stingray, 1974

Camaro Z/28, 198?

Chevrolet Caprice Lowrider, 1975

Belas rodas e pneus Toyo.

Será que tem direção hidraúlica?

Chevy Impala, 1961

Chevy Cup Hot Rod, 1933

Se liga nesses coletores Kassab.

 

Os Nacionais:

Puma GTB, 1978

São 171cv bem famintos...

É o meu modelo de Puma preferido.

Fastback nacional e com muito estilo.

Ford Maverick GT, 1974

E onde estão os Opalas SS?

Dodge Dart DeLuxo, 1973

Ao menos o dono deste Dart acredita no Dunga, haja fé...

Slides:

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Video Chevy Lowrider: