África do Sul vs. México

11 06 2010

É chegada a hora! Quais destes esportivos se classificariam para uma vaga na sua garagem?

Em ‘Confrontos da Copa’ queremos saber a sua opinião. Entre esportivos clássicos e atuais, muscle cars, supercarros, roadstes e até SUV’s queremos saber quais destes “craques” você queria no seu time de carros. E pra começar dois que abriram a Copa do Mundo, África do Sul e México.

Representando os Bafana Bafana, o Muscle Africano Chevrolet Firenza Can-Am 1973, série especial raríssima de apenas 100 unidades com motor de Camaro 302 e 290cv . Do Lado mexicano o moderno roadster Mastretta MXT 2008, equipado com motor Ford Duratc de 240cv. Escolha quem tem mais folêgo e desempenho nessa Copa!

Do lado Africano joga esse belo Chevrolet Firenza de 5 litros e 290cv

Chevrolet Firenza Can-Am 1973:  Um dos raros Muscle Cars sul-africanos, este chevrolet tem origem no Vauxhall Firenza inglês, porém a versão Bafana Bafana é muito mais atlética. Este modelo foi equipado com o motor do Camaro Z/28 de 1969, são 290cv e um desempenho avassalador, já que o Firenza africano é um tanto quanto menor e mais leve que o Camaro. Foram fabricadas apenas 100 unidades, somente para homologar o modelo nas provas de turismo na África do Sul.

De tão raro, até réplicas deste modelo alcançam valores vultuosos, nascido sob o regime cruel do Apartheid, talvez hoje o Firenza sirva de inspiração para o desenvolvimento da industria automoilística sul-africana hoje.

  • Motor: 5.0 litros, 8 cilindros em V
  • Potência: 290cv @ 4600rpm
  • Torque: 44,3 mkgf @ 2400rpm
  • Aceleração 0 a 100km/h: 5.4s
  • Velocidade Máxima: 229km/h

Com tantos cavalos será que dá zebra?

 
 
 
 

Pela seleção mexicana joga o picante MXT

Mastretta MXT 2008: O MXT tem muita fibra, fibra de vidro, e é uma iniciativa da empresa Tecnoidea de produzir um esportivo 100% mexicano, ou quase, num país repleto de fabricantes estrangeiros. Apresentado como protótipo em 2008, o MXT iniciou sua produção em dezembro daquele ano, visando principalmente o mercado americano e europeu.

Seu motor é um Ford Duratec de 240cv, que empurram só 970kg. É de se esperar um excelente desempenho de um carro compacto como este, que chegou a ser chamado de “Lotus Elise Latino.”  Associações à parte, o MXT Mastretta prova que nem só de Fusions ou Captivas vive o México.

  • Motor: 2.0 litros, 4 cilindros em linha
  • Potência: 240cv
  • Aceleração de 0 a 100km/h: 5.8s
  • Velocidade Máxima: 230km/h

 

O Mastretta é muita treta...

-Se possível dê sua opinião aqui no Punta Taco. Diga que modelo deste comparativo você mais gostou e porquê, esperamos sua participação!

Fonte : Dados de fábrica

Autor : Emerson Martinez

 





Ford Capri Perana 1971

7 05 2010

Ford Capri Perana: O Muscle Car africano.

Para quem acha que a história dos Muscle Cars se retringe aos Estados Unidos se engana.  Em dois países da chamada Commonwealth (Comunidade formada por ex-colônias britânicas) houveram e ainda há modelos simplesmente espetaculares. Temos a Austrália, país que ainda hoje apresenta modelos possantes através das montadoras Holden e Ford, e a Africa do Sul, que em seu passado sombrio, potencializou alguns modelos de origem européia.

Um destes foi o Ford Capri, que era fabricado pela filial da Ford em Port Elizabeth, e que ganhou de uma preparadora local, muita potência e um motor V8. Basil Green foi a grosso modo um Carroll Shelby sul-africano, sua empresa chamava-se Basil Green Perana, o ‘Perana’ é uma corruptela da lingua inglesa da palavra ‘piraña‘ (o peixe carnívoro) em espanhol. Entre os anos 1968 – 1972 a Perana dedicou-se a preparar modelos Ford, de tal modo, que ganhou a aprovação e subsidios da própria fábrica.

O Capri Perana africano tinha desempenho muito superior ao dos Capris europeus.

 O Capri Perana ganhou um 302 Windsor com nada menos que 285 cavalos, uma verdadeira “cadeirinha elétrica” com capota. O Capri é relativamente desconhecido no Brasil, mas esse modelo, pra se ter uma idéia é menor que um Ford Corcel, e seu peso é de somente 930kg (o Mesmo de um Chevette Junior), acho que dá pra se ter uma idéia do seu desempenho com esse motor Ford de 5 litros.

Para os de pobres de  imaginação, números: 228km/h de máxima, 0 a 100km/h em 6,7 segundos, uma performance muito, mas muito além do eram capazes os Capris GT alemães ou britânicos, ou simplesmente esqueça o passado. O Capri Perana tem desempenho equivalente ao moderno e ‘jovem’ Focus ST europeu. Em teste da época o Capri cobriu o quarto de milha em 14.6 segundos, mas medições atuais apontam 13.9 segundos. O Capri Perana é um verdadeiro guepardo das savanas!

O carro é de 1971, mas o desempenho é de século XXI

Capri Perana Team Gunston: Bi-campeão do turismo sul-africano.

Como é de se esperar o desempenho do Capri não pôde escapar das competições em pista. Ele foi bi-campeão do turismo sul-africano (1970-71) com total apoio da Ford, seu rival era outro Muscle Car do continente negro, o Chevrolet Firenza Can-Am. Estes modelos de corrida ainda se encontram em boas condições, em um belo exercício de perservação e memória do automoblismo da África do Sul. (muito diferente do que acontece aqui, enfim)

Além do 302, o Capri Perana possuia transmissão da pick-up Ford F-250, ou automática do Mustang. O diferencial por sua vez era do Ford Fairlane. O modelo era disponibilizado nas cores amarelo, laranja “piri-piri”, ou cores a gosto do cliente, o próprio Basil Green tinha um Capri verde. Os números variam, mas estima-se que tenham sido construídos entre 500 a 800 Capris Perana.

Outros modelos vitaminados por Basil Green eram os Fords Cortina, Escort, Granada além do citado Capri. Em breve falaremos aqui de alguns destes outros modelos. A empresa fechou as portas em 1972 por motivos até hoje não esclarecidos.

Capri Perana em detalhes.

Apenas 500 ou 800 modelos fabricados...

São 285cv em apenas 930kg!

Anúncios de jornal tão agressivos quanto o carro.

O 'Perana' vem da palavra 'Piraña'. Justo, o carro também é um predador.

O Capri, assim como todos os modelos Ford versão Perana, tinham total garantia da montadora, fato raro em versões muito apimentadas por terceiros. O Capri Perana teve metade da sua produção exportada para a Inglaterra, talvez porque lá o Capri era bem popular, embora não houvesse como diziamos nenhuma versão como o Perana.

Em matéria de automoblismo (e infelizmente em outros temas também) a África praticamente não existe. Hoje, dos 53 países africanos apenas 6 produzem automóveis, e em quantidades ínfimas. Tente imaginar então este cenário nos anos 70.  Não fosse pelo infame Apartheid que submeteu a África do Sul ao isolamente internacional, talvez hoje o país da Copa ainda produzisse modelos possantes e interessantes que desafiassem até modelos americanos, europeus e japoneses.

Graças a abnegados como Basil Green, e a louvável iniciativa da Ford local em apoiá-lo, belos clássicos como este Capri foram desenvolvidos, embora desconhecidos do grande público são carros incríveis e que merecem ter sua história contada.

Basil Green: "O Shelby sul-africano"

Video: Um pequeno aperitivo de um documentário que foi produzido na África do Sul sobre a Basil Green Perana Motors, a destacar: Um já idoso Basil Green reencontra um Capri Perana Team Gunston 38 anos depois.

Ficha Técnica

Fabricante: Ford ZA – Port Elizabeth, Eastern Cape – África do Sul

Preparador: Basil Green Perana Motors, Johanesburgo, Gauteng – África do Sul

Motor

  • Cilindrada: 5.0 litros, 8 cilindros em V
  • Potência: 285cv @ 5800rpm
  • Torque: 200lb @ 3500rpm
  • Relação peso/potência: 3,26kg/cv

Dimensões e Peso

  • Comprimento: 4,28m
  • Largura: 1,64m
  • Peso: 930kg

Desempenho

  • 0 a 100km/h: 6.7s (Teste 1971) 6.1s (Dados da fábrica)
  • 0 a 120km/h: 9.3s
  • 0 a 400m: 14.6s (Teste 1971) 13.9s (Aferição atual)
  • Velocidade Máxima: 228km/h

Fonte Dados Técnicos: Revista Car, Janeiro de 1971 e Divulgação Basil Green Motors.