O Vigilante Rodoviário

27 07 2010

Carlos e Lobo: Primeiros heróis nacionais da TV

Quando a televisão brasileira tinha um pouco mais de uma década de existência, eram exibidas séries de super-heróis que hoje são ícones clássicos tais como Roy Rogers ou o nipônico National Kid. Porém nenhum destes um herói brasileiro, até que para preencher esta lacuna o cineasta Ary Fernandes idealiza, produz e dirige a série Vigilante Rodoviário, fruto de sua admiração pela Policia Rodoviária Federal.

Veículada semanalmente nas noites de quarta-feira  pela TV Tupi depois do Repórter Esso, a série estreiou em Janeiro de 1962 com duração de 22 minutos descontados os “reclames”, e realizada pela produtora Procitel que ainda hoje detêm os direitos autorais do seriado. No total foram produzidos 38 episódios com os mesmos personagens: O tenente Carlos (Carlos Miranda) o cão policial Lobo (nome real King) e o garoto Tuca (Reginaldo Vieira) houve também participações de atores até hoje conhecidos como o veterano Milton Gonçalves.

Carlos Miranda e Lobo (King) em um momento de descontração na pausa das filmagens.

Vigilante Carlos e o garoto Tuca (Reginaldo Vieira)

O Vigilante Rodoviário foi um grande marco para a cinematografia brasileira, já que foi o primeira série de TV da América Latina e a quarta em todo mundo filmada em película e com cenas externas. Todos os episódios tinham o mesmo roteiro básico “mocinho contra bandido” com lições de retidão e heroísmo ao final de cada história, estilo tipico das séries estrangeiras daquela época.

Pode-se dizer que O Vigilante Rodoviário era uma série policial, no entanto não havia cenas fortes de violência, apenas luta corporal entre o Vigilante Carlos e os vilões, ou ataques de Lobo que ao seu modo também lutava contra o banditismo. Assim sendo a série tinha um conteúdo perfeitamente adequado ao público infanto-juvenil.

A primeira série da América Latina e a quarta do mundo filmada em película.

Uma das viaturas da série: um Simca Chambord 1959

O seriado foi exibido durante todo o ano de 1962, e reexibido em 1967 ainda pela TV Tupi, e depois nos anos 70 já pela Rede Globo. Nos moldes atuais de veiculação de séries podemos dizer que o Vigilante Rodoviário teve apenas uma temporada. Apesar do sucesso de público, dos inúmeros prêmios e do patrocínio de empresas como a Nestlé, a produção teve problemas financeiros para seguir adiante. O próprio Carlos Miranda em entrevista, poucos anos depois do término de Vigilante Rodoviário, disse que ganhava o suficiente apenas para pagar as contas e que nunca ficou rico apesar da fama.

O Vigilante Rodoviário de 1978

Ary Fernandes anos depois tentou reviver o legado do Vigilante Rodoviário. Em 1978 com o apoio da hoje extinta Embrafilme, rodou um longa que serviria de piloto para a nova série, 16 anos depois e com elenco totalmente renovado. Para o papel do Vigilante Carlos foi escolhido o ator Antônio Fonzar, conhecido na época por papéis de ‘galã’.

Esta produção teve grande colaboração da Polícia Militar, no papel de Lobo por exemplo, foram designados três pastores alemães treinados da PM, os cães; Lobo, Dom e Elke. O comando da PM também forneceu apoio logistico e treino de abordagem e combate para o ator principal.

O Vigilante de 1978: Antônio Fonzar no Papel de Carlos e um Pastor da PM 'interpretando' Lobo.

Para esta nova produção o Vigilante Carlos ganhou também uma nova viatura, um Dodge Dart sedã, muito embora os veículos das Polícias Rodoviárias Estaduais e Federal  da época fossem na verdade Fuscas e Caravans. Segundo Vania da Procitel o Dart viatura foi posteriormente dado por Ary Fernandes a um amigo dentista, mas o carro não existe mais há anos. A locação do filme se deu na cidade de Atibaia que fica a 60km de São Paulo.

A intenção de Ary Fernandes, era a de trazer mais qualidade em termos de argumento para o cinema nacional daqueles tempos dominados pelo gênero pornô-chanchada. O produtor teve aprovação prévia dos orgãos censores da ditadura brasileira, como de praxe, para poder realizar este filme. Infelizmente porém, o então novo Vigilante não saiu do filme inicial, devido a problemas enfrentados pela Embrafilme. A cópia original deste filme nunca foi exibida para o grande público e hoje se encontra guardada no acervo da Cinemateca do Estado de São Paulo.

Infelizmente o "novo" Vigilante não saiu do piloto nunca exibido.

Sobre o Simca Chambord

O Vigilante Rodoviário utilizou algumas viaturas, na série dos anos 60 foram três: Um Ford 1949 (usado em apenas 3 episódios), uma moto Harley-Davidson 1952 (que aparece na maioria das histórias), e a mais famosa, um Simca Chambord 1959. Assim como o Dart do filme de 1978, o Simca Chambord da série de TV não era o verdadeiro carro de trabalho da Polícia Rodoviária.

O Simca Chambord é de origem francesa, mas que também passou a ser fabricado no Brasil, o Chambord 1959 foi o primeiro carro nacional de grande porte, a sua escolha para a série talvez tenha sido para dar a produção um ar “americanizado” embora sua origem seja europeia o Chambord tinha os famosos rabos-de-peixe, recurso de estilo tipico dos carrões americanos.

O Simca do Vigilante Carlos.

Chambord: São apenas 85cv (SAE) para empurrar quase 5m de carroceria.

Embora belo, o Chambord não tinha um desempenho que o qualificasse para a policia rodoviária. Seu motor V8 europeu de 2.4 litros rendia apenas 85cv (norma SAE) pouco para locomover seus 4,80 metros de comprimento e 1300kg. De fato sua máxima não ultrapassava os 130km/h. Para a sorte do Vigilante Carlos, nenhum dos bandidos que enfrentou possuía um Chevrolet Impala com motor V8 small-block. Carro importado que era figura fácil nas grandes cidades brasileiras da época, e mais do que suficiente para deixar a viatura do nosso herói para trás.

No entanto, anos depois, o Chambord ganhou potência, 110cv na versão Tufão em 1964 e 140cv na versão Emisul lançada em 1967. Se a série tivesse sobrevivido até então, o Vigilante Carlos estaria mais bem aparelhado. Foram usados no total 5 Simcas Chambord, 2 com pintura de viatura, e outros 3 como carros de apoio e carros dos bandidos, apoós a série os cinco veículos foram devolvidos a fábrica pois o contrato era de ‘comodato’. Não há noticias posteriores da sobrevivência, restauração e conservação destes carros. O Simca que Carlos Miranda possuí é uma réplica do original.

Carlos Miranda e o seu Chambord réplica da viatura original.

Carlos Miranda após o seriado se apaixonou pelo ofício de Policial Rodoviário, tanto que se tornou um e trabalhou na corporação até sua aposentadoria. O ex-ator e ex-policial Carlos Miranda comparece em encontros de carros antigos Brasil afora trazendo muitas recordações para as antigas gerações e fascínio para as novas, acompanhado de um pastor alemão, provavelmente de nome Lobo.

O Vigilante Hoje

Para os saudosos desta clássica série, uma boa notícia, o canal de TV a cabo, Canal Brasil está reprisando 35 dos 38 episódios produzidos (2 episódios estão parcialmente destruídos, 1 totalmente), os horários de exibição são: às segundas às 20:30h, com reapresentação terças às 15:30hs e domingos às 11:00hs. Consta ainda que o Canal Brasil finalmente exibirá o longa metragem de 1978, quem ainda tiver Videocassete e fitas VHS, ou DVD Recorder convém gravar.

As aventuras do Vigilante Carlos podem ser vistas hoje no Canal Brasil

Lista de Episódios:

-A história do Lobo
-Os cinco valentes
-O recruta
-Bola de meia
-O ventríloquo
-Extorsão
-Jogo decisivo
-Pânico no ringue
-Zuni, o potrinho
-A orquídea glacial
-Remédios falsificados
-Os romeiros
-A repórter
-Diamante Gran Mongol
-O fugitivo
-Aventura em Ouro Preto
-Chantagem
-O homem do realejo
-A eleição
-A pedreira
-O pagador
-O sósia
-Aventuras do Tuca
-O invento
-Terras de ninguém
-O rapto do Juca
-Aventura em Vila Velha
-Pombo-correio
-Ladrões de automóveis
-O suspeito
-O garimpo
-A fórmula de gás
-Café marcado
-O assalto
-O mágico
-Mapa histórico
-O mordomo
-Mistério do Embu

Prêmios:  Troféu Roquete Pinto, Sete Dias na TV e Troféu Imprensa.

Videos: A abertura da série e entrevista com o produtor Ary Fernandes e uma rápida entrevista com Carlos Miranda.

Fonte: www.vigilanterodoviario.com confira a programação da série e do longa do Vigilante Rodoviário de 78 no Canal Brasil: www.canalbrasil.globo.com

Agradecimentos: Nossos sinceros agradecimentos à Vania da produtora Procitel que há colaborado com valiosas colaborações e correções.

Texto: Emerson Martinez.

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3 responses

28 07 2010
Vania

Parabéns por sua página, Emerson!
Agradeço em nome de todos da Procitel!
Quanto ao destino dos automovés, como rezava o contrato firmado na época entre o fabricante da marca e o Ary Fernandes, os 5 simcas usados na série (2 caracterizados como viaturas do personagem e 3 usados na série como apoio ex. carro dos bandidos, etc), foram devolvidos à fábrica, uma vez que eles foram cedidos em “comodato”.
Os automóveis não existem mais há anos.

Já o Dodge Dart caracterizado como viatura do personagem no filme de 78, (foi usado um único
automóvel e este foi comprado pelo próprio Ary), ao final das filmagens, o Ary o deu de presente ao seu amigo de infância e dentista, Manoel Pinto.
Assim como os Simcas, este Dodge Dart não existe mais também há muito tempo.

Vania

http://www.vigilanterodoviario.com.br
procitel@uol.com.br

28 07 2010
Emerson Martinez

Oi Vania!

Primeiro lugar sem palavras por sua ajuda nas correções e informações a respeito da série. Queremos aqui informar com o máximo de fidelidade possivel e também manter a memória cultural brasileira com alguma relação com o automóvel.

Infelizmente algumas pessoas desconhecem a sorte que tem, e também não fazem um simples exercicio de futurologia, poxa, o cidadão me ganha a primeira viatura de uma série clássica e estava sendo retomada mas ao final não foi. Não fez idéia de quanto valeria o automóvel com o passar de alguns anos, triste…

Valioso não só no sentido financeiro mas também no quisito memória cultural da televisão.

É isso Vania de nossa parte a história da serie não termina aqui, futuramente voltaremos a este assunto com mais detalhes e curiosidades.

Um abraço!

28 07 2010
vania

Agradeço as considerações e coloco-me a disposição para qualquer informação a respeito de nossas obra.

abs,

Vania
procitel@uol.com.br
http://www.vigilanterodoviario.com.br

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